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quarta-feira, 9 de março de 2011

Yemanjá - vídeo 9 estudo sistematizado




Para compreendermos os atributos de Yemanjá precisamos conhecer um pouco o seu reino, onde sua energia atua com maior intensidade. A grande mãe das águas, sua representação está, especificamente, nos mares e nos oceanos.
Os mares são a grande fonte da vida como a conhecemos hoje e que ainda abriga toda uma complexa flora e fauna. Nas suas águas a vida se renova a todo instante. Com a sua imensidão assustadora, quando manso, o mar, traz tranqüilidade, paz, abundância e prosperidade para aqueles que dele necessitam para sobreviver. Quando ele está agitado, suas ondas destroem e leva tudo o que estiver ao seu alcance.
Assim é Yemanjá, no seu aspecto positivo, trazendo prosperidade e abundância em todos os sentidos, acolhimento, bem-estar a todos. É o amor que sustenta as famílias, as uniões, os grupos, as amizades. A vibração de Yemanjá leva-nos ao amor maternal, com desapego, fazendo com que seus filhos sejam cidadãos do mundo.
Aspectos Negativos: Avareza, rejeição, medo, apego, posse excessiva, paralisa o progresso, mesquinhez, insensibilidade. 
Sincretizada com Maria, mãe de Jesus, que para os católicos é a Mãe de todos os seres humanos, aquela que vê os seus filhos com a pura ótica do amor, a que sempre estará nos esperando com os braços abertos para confortar e amparar sem julgamentos. 
Os tipos psicológicos dos filhos de Yemanjá podem ser imponentes, bonitos, majestosos, dignos, calmos, sensuais e fascinantes, faz-nos lembrar o canto da sereia. As filhas de Yemanjá são boas educadoras, organizadas no lar e dadas no relacionamento social familiar. Porém, tendem a ser vingativas, a ter dificuldade de perdoar as ofensas e, geralmente, são ciumentas e possessivas com as pessoas que amam.
No aspecto esotérico Yemanjá está relacionada com o chacra frontal, ligado diretamente à mente não racional (intuição) e a clarividência. Ele favorece, diretamente, o funcionamento da glândula pituitária, da pineal, o do sistema nervoso e, de certa forma, do cérebro.
 Costuma ser chamado de “chakra mestre”, uma vez que dirige e controla os demais chakras e suas glândulas endócrinas correspondentes. Este chakra também está relacionado aos olhos e ao nariz.
Os sentimentos e valores que costumam gerar desequilíbrios neste chakra são, essencialmente, o orgulho, a prepotência e o materialismo.
Fonte: livro Umbanda Pé no Chão.

Assista o vídeo 9 estudo sistematizado:


terça-feira, 8 de março de 2011

Arreda homem que aí vem mulher

Pombagira da figueira


Baseado na sua tese de mestrado, que busca a compreensão do imaginário religioso afro-brasileiro, na representação da entidade Pomba Gira, bem como eliminar o preconceito religioso. “Arreda homem que aí vem mulher" é um Ponto (canção) que canta a chegada das pombagiras no espaço ritual. Ele traduz a essência desse trabalho de mestrado, que se propõe revelar e analisar, a partir da ambígua figura da Pombagira, as representações de gênero contidas no imaginário religioso afro-brasileiro”, escreve Nilza Menezes.

Nilza Menezes teve a preocupação em entrevistar várias lideranças religiosas e também adeptos. Homens e mulheres que emprestaram suas vozes para tecer as linhas desse estudo. “Junte-se a isso, a observação sistemática dos rituais, que incluiu também um cuidadoso registro visual do campo, comunicando imageticamente um universo rico em simbolismo.

O estudo nos leva a um mundo desconhecido  aos que não têm afinidade com os rituais praticados nos terreiros de umbanda, através de uma linguagem que pode ser compreendida com facilidade por qualquer leigo. Além disso a pesquisa nos apresenta “A Pombagira” e as sua representações sociais onde a escritora foi buscar informações em autores como Moscovici, Denise Jodelet e Maria Cecília Minayo e conclui: “A Pombagira é um fenômeno observável, que pode ter sua manifestação individual, mas representa coletivamente as mulheres quando fala em nome delas”.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Vazio existencial - Krishnamurti


O nosso problema está no fato de a nossa vida ser vazia e de não conhecermos o amor; conhecemos sensações, conhecemos a publicidade, conhecemos exigências sexuais, mas não há amor. E como se faz para transformar esse vazio, como encontrar essa chama sem fumaça? Esta é por certo a pergunta, não é? Então, vamos descobrir juntos a verdade desse assunto. Por que a nossa vida é vazia? Embora sejamos muito ativos, embora escrevamos livros e freqüentemos o cinema, embora nos divirtamos, amemos e vamos ao escritório, nossa vida é vazia, tediosa, mera rotina. Por que os nossos relacionamentos são tão superficiais, estéreis e sem muito sentido? Conhecemos a nossa vida suficientemente bem para saber que a nossa existência tem muito pouco significado; citamos frases e idéias que aprendemos — o que fulano ou beltrano disseram, o que os mahatmas, os santos mais recentes ou os antigos santos disseram. Se não for um líder religioso, seguimos um líder político ou intelectual, seja Marx, Adler ou Cristo. Somos apenas fitas gravadas que repetem, e damos a esse repetição o nome de conhecimento. Aprendemos, repetimos, e a nossa vida continua extremamente superficial, entediante e repulsiva. Por quê? Por que é assim? Por que atribuímos tanta importância às coisas da mente? Por que a mente veio a se tornar tão importante na nossa vida — quando digo mente refiro-me às idéias, ao pensamento, à capacidade de racionalizar, de avaliar, de sopesar, de calcular? Por que damos uma ênfase tão extraordinária à mente? O que não significa que devamos nos tornar emotivos, sentimentais e melosos. Conhecemos esse vazio, esse extraordinário sentimento de frustração. Por que há na nossa vida essa vasta superficialidade, esse sentimento de negação? Não há dúvida de que só podemos compreendê-lo quando o abordamos por meio da consciência do relacionamento. O que de fato está acontecendo nos nossos relacionamentos? Nossos relacionamentos não constituem um auto-isolamento? Não são todas as atividades da mente um processo de salvaguarda, de busca de segurança, de isolamento? Não é esse pensamento, que dizemos ser coletivo, um processo de isolamento? Não é toda ação da nossa vida um processo de auto-encerramento? Vocês podem vê-lo na sua vida diária. A família tornou-se um processo de auto-isolamento e, sendo isolada, deve existir em oposição. Assim, todas as nossas ações estão levando ao auto-isolamento, que cria essa sensação de vazio; e, sendo vazios, procuramos preencher o vazio com rádios, com barulho, com tagarelices, com fofocas, com barreiras e ver o que existe para além disso que chamamos de vacuidade, solidão. Aqueles que buscam um sucedâneo para o antigo ficarão satisfeitos ao descobrir algo que proporcione uma nova segurança, mas há evidentemente quem queira ir além disso; por isso, prossigamos com eles. Ora, para ir além da solidão, do vazio, é preciso compreender todo o processo da mente. O que é isto que chamamos de solidão, de vazio? Como sabemos que é vazio, que é solidão? A partir de que critério vocês dizem que é isto e não aquilo? Quando vocês dizem que é solidão, que é vazio, qual é a referência? Vocês só podem sabê-lo a partir das medidas proporcionadas pelo antigo. Vocês dizem que algo é vazio, vocês o nomeiam, e julgam tê-lo compreendido. Não será o próprio ato de nomear um empecilho à sua compreensão? A maioria de nós sabe o que é a solidão, da qual estamos tentando escapar. A maioria de nós tem consciência dessa pobreza interior, dessa insuficiência interior. Não se trata de uma reação abortiva, mas de um fato; e ao lhe dar um nome não o podemos dissolver — ele está presente. Ora, como conhecemos seu conteúdo, como chegamos, a saber, qual é a sua natureza? Vocês conhecem alguma coisa por lhe dar um nome? Vocês me conhecem ao me chamar por um nome? Vocês só podem me conhecer quando me observam, quando têm comunhão comigo, mas chamar-me por um nome, dizer que sou isso ou aquilo, obviamente põe fim à comunhão comigo. De modo semelhante, para se conhecer a natureza daquilo que denominamos solidão, tem de haver comunhão com ela, e a comunhão não é possível se vocês a nomeiam. Para compreender alguma coisa, é preciso antes de tudo fazer cessar o ato de nomear. Se desejam de fato entender seu filho — o que eu duvido — o que vocês fazem? Vocês olham para ele, observam-no a brincar, contemplam-no, estudam-no. Em outras palavras, vocês amam aquilo que desejam compreender. Quando vocês amam alguma coisa, há naturalmente comunhão com essa coisa, mas o amor não é uma palavra, um nome, um pensamento. Vocês não podem amar aquilo a que dão o nome de solidão porque não têm plena consciência dela, porque a abordam com medo — não medo da solidão, mas de outra coisa. Vocês não pensaram sobre a solidão porque não sabem de fato o que ela é. Não riam; isto não é um argumento inteligente. Pensem bem no assunto enquanto falamos e verão todo o seu alcance. Logo, aquilo que denominamos o vazio é um processo de isolamento que é o produto do relacionamento cotidiano, porque, no relacionamento, consciente ou inconscientemente, estamos procurando a exclusão. Vocês querem ser o proprietário exclusivo daquilo que lhes pertence, da mulher ou do marido, dos filhos; querem caracterizar a coisa ou pessoa como meu, o que evidentemente significa aquisição exclusiva. Esse processo de exclusão deve inevitavelmente levar a um sentimento de isolamento; e como nada pode viver em isolamento, há conflito, e estamos tentando escapar desse conflito. Todas as formas de fuga que podemos conceber — as atividades sociais, a bebida, a busca de Deus, a puja, a realização de cerimônias, a dança e outras diversões — estão no mesmo nível: e se vemos na vida diária esse processo total de fuga do conflito e queremos suplantá-lo, temos de compreender o relacionamento. Só quando a mente não está escapando de nenhuma maneira é possível estar em comunhão direta com aquilo a que damos o nome de solidão: o só; e para haver comunhão com isso, tem de haver afeição, tem de haver amor. Em outras palavras, vocês têm de amar a coisa para compreendê-la. O amor é a única revolução, e o amor não é uma teoria nem uma idéia; ele não segue nenhum livro nem padrão de comportamento social. Logo, a solução do problema não vai ser encontrada nas teorias, que servem somente para aumentar o isolamento. Ela só será encontrada quando a mente, que é pensamento, não estiver empenhando em fugir da solidão. A fuga é um processo de isolamento, e a verdade é que só pode haver comunhão quando há amor. Só então é resolvido o problema da solidão.
Krishnamurti

domingo, 6 de março de 2011

Das macumbas à Umbanda

Macumba é uma espécie de árvore africana e também um instrumento musical utilizado em cerimônias de religiões afro-brasileiras. O termo, porém, acabou se tornando uma forma pejorativa de se referir a essas religiões - e, sobretudo, aos despachos feitos por alguns seguidores. O preconceito foi gerado porque, na primeira metade do século 20, igrejas pentecostais e alguns outros grupos católicos consideravam profana a prática dessas religiões. Com o tempo, num processo de generalização popular, preconceituoso, quaisquer manifestações dessas religiões passaram a ser tratadas como "macumba".  Na verdade, a demonização da Umbanda  pelas religiões neopentecostais e evangélicas permanece  até os dias atuais.
A primeira definição de Macumba que se encontra em qualquer dicionário é de: antigo instrumento musical de percussão, espécie de reco-reco, de origem africana, que dá um som de rapa (rascante); e Macumbeiro é o tocador desse instrumento.


* * *

Monografia que descreve a transformação no meio Umbandista entre 1908 e o I Congresso de Umbanda em 1941, período marcante na construção desta religião brasileira.

Escrita por José Henrique Motta de Oliveira (vulgo Arashakamá), Iniciado da Umbanda do Cruzeiro do Sul, como requisito à obtenção de título em Licenciatura Plena em História.
Para download:  Das macumbas à Umbanda

sexta-feira, 4 de março de 2011

Universalismo ecumênico - sementes de paz

“Como a abelha que colhe o mel de diversas flores, a pessoa sábia aceita a essência das diversas escrituras e vê somente o bem em todas as religiões.” 

Mahatma Gandhi

1. Oração Hindu pela Paz
Ó Deus, leva-nos do irreal para o real.
Ó Deus, leva-nos da escuridão para a luz.
Ó Deus, leva-nos da morte para a imortalidade.
Shanti, Shanti, Shanti a todos.

Ó Senhor, Deus Todo Poderoso, que haja paz nas regiões celestiais.
Que haja paz sobre a Terra.
Que as águas sejam apascentadoras.
Que as ervas sejam nutritivas, e que as árvores e plantas tragam paz a todos.
Que todos os seres benéficos tragam-nos a paz.
Que a Lei dos Vedas propague a paz por todo o mundo.
Que todas as coisas sejam fonte de paz para nós.
E que a Vossa paz possa trazer a paz a todos, e a mim também.

2. Oração Budista pela Paz
Que todos os seres, de todos os lugares, afligidos por sofrimentos do corpo e da mente sejam logo libertados de suas enfermidades.
Que os temerosos deixem de ter medo e os agrilhoados sejam libertos.
Que o impotente encontre força, e que os povos desejem a amizade uns dos outros.
Que aqueles que se encontram no ermo sem caminhos e amedrontados - as crianças, os velhos e os desprotegidos – sejam guiados por entes celestiais benéficos, e que rapidamente atinjam a condição de Buda.

3. Oração Jainista pela Paz
A Paz e o Amor Universal são a essência do Evangelho pregado por todos os Seres Iluminados.
O Senhor disse que a  equanimidade é o Dharma.
Perdôo a todas as criaturas e que todas as criaturas me perdoem.
Por todos tenho amizade e por nenhuma criatura inimizade.
Saiba que a violência é a causa raiz de todas as misérias do mundo.
A violência é de fato o nó que aprisiona. “Não ofenda nenhum ser vivo”.
Este é o caminho eterno, perene e inalterável da vida espiritual.
Por mais poderosa que seja uma arma, ela sempre pode ser sobrepujada por outra; mas nenhuma arma pode ser superior à não-violência e ao amor. 

4. Oração Maometana pela Paz
Em nome de Allah, o benéfico, o misericordioso.
Graças ao Senhor do Universo que nos criou e distribuiu em tribos e nações.
Que possamos nos conhecer, sem nos desprezarmos uns aos outros.
Se o inimigo se inclina para a paz, incline-se você também para a paz, e confia em Deus, pois o Senhor é aquele que ouve e conhece todas as coisas.
E entre os servos de Deus, Cheios de Graça são aqueles que andam sobre a Terra em humildade, e quando nos dirigimos a eles dizemos “PAZ”.

5. Oração Sikh pela Paz
Deus nos julga segundo nossas ações, não de acordo com o traje que nos cobre:
A verdade está acima de tudo, mas ainda mais alto está o viver em verdade.
Saibam que atingimos a Deus quando amamos, e a única vitória que perdura é aquela que não deixa nenhum derrotado.

6. Oração Bahai pela Paz
Seja generoso na prosperidade e grato na adversidade.
Seja justo ao julgar e comedido ao falar.
Seja uma luz para aqueles que caminham na escuridão, e um lar para o forasteiro.
Seja os olhos para o cego e um guia para os errantes.
Seja um sopro de vida para o corpo da humanidade, orvalho para o solo do coração dos homens, e
Seja a fruta da árvore da humildade.

7. Oração Shintoísta pela Paz
Embora as pessoas que vivem do outro lado do oceano que nos rodeia, eu creio, sejam todas nossos irmãos e irmãs, porque há sempre tribulação neste mundo?
Porque os ventos e as ondas se levantam no oceano que nos circunda?
Desejo de todo coração que o vento logo leve embora todas as nuvens que pairam sobre os picos das montanhas.

8. Oração dos Nativos Africanos pela Paz
Deus Todo Poderoso, Grande Polegar que ata todos os nós,
Trovão que ruge e parte as grandes árvores;
Senhor que tudo vê lá de cima, que vê até as pegadas do antílope nas rochas aqui na Terra,
Vós sois aquele que não hesita em responder a nosso chamado.  
Vós sois a pedra angular da Paz.
Abençoa-nos

9. Oração dos Nativos Americanos pela Paz
Ó Grande Espírito de nossos Ancestrais, eu vos saúdo.
Aos teus mensageiros, os quatro ventos, e à Mãe Terra, que alimenta seus filhos.
Dê-nos a sabedoria para ensinar nossos filhos a amarem, respeitarem e serem gentis uns com os outros, para que possam crescer com ideias de paz.
Que possamos aprender a partilhar as coisas boas que nos ofereces aqui na Terra.

10. Oração Parse pela Paz
Oramos a Deus para erradicar toda a miséria do mundo:
Que a compreensão triunfe sobre a ignorância,
Que a generosidade triunfe sobre a indiferença,
Que a confiança triunfe sobre o desprezo, e
Que a verdade triunfe sobre a falsidade.

11. Oração Judaica pela Paz
Vamos subir a montanha do Senhor, para que possamos trilhar os caminhos do Mais Alto.
Vamos forjar arados de nossas espadas, e ganchos de poda com nossas lanças.
Uma nação não levantará a espada contra outra nação – nem aprenderão a guerra novamente.
E ninguém mais sentirá medo, pois isto falou o Senhor das Hostes.

12. Oração Cristã pela Paz
Benditos são os que fazem a paz, pois eles serão chamados Filhos de Deus. Pois eu lhes digo:
Ouçam e amem os seus inimigos,
Façam o bem aos que te odeiam,
Abençoem aqueles que te maldizem,
Orem pelos que te humilham.
Aos que lhes batem no rosto, ofereçam a outra face, e
Aos que lhes tiram as vestes, ofereçam também a capa.
Dêem aos que pedem, e aos que tomam seus bens, não os peça de volta.
E façam aos outros aquilo que quiserem que os outros façam a vocês.

As sementes de paz representam as doze orações pela paz feitas em Assis, Itália, no dia da Oração pela Paz Mundial durante o Ano Internacional da Paz das Nações Unidas, 1986. As orações foram levadas aos Estados Unidos e deixadas aos cuidados das crianças da Life Experience School. A distribuição das Sementes de Paz é um projeto para servir o mundo. As orações pertencem à humanidade.


quarta-feira, 2 de março de 2011

Oferenda para Orixá neste carnaval


Faça uma oferenda para o seu Orixá neste carnaval.

Adote um animal. 

Nossos guias e mentores espirituais amam os irmãos menores e louvam a vida.

Animal, alimente-o, cuide-o, tenha amor por ele e estará fazendo uma grande oferenda aos Orixás. 

Reflexões sobre o carnaval, considerações de um Umbandista

Conheço pessoas que durante todo o ano deixam de fazer o que querem, subjugam-se a modos de vida, o que para ele é mais prático, porque aparentemente não há tantos embates. Não sentem necessidade de situarem-se com os pés no chão em suas ações cotidianas, pois acreditam que atingiram zonas confortáveis de segurança na rotina das suas vidas, na interdependência do círculo familiar, na eterna tolerância ao tédio no trabalho e aparentes relações amistosas com todos ao redor.
São pessoas que vivem como que na superfície da verdadeira vida. Aqueles que passam a vida a ver as sombras na parede, se formos lembrar do mito da caverna de Platão, revivida em Fernão Capelo Gaivota e na lenda oriental dos peixinhos do tanque.
Só que chega o carnaval, parece que na mente e no íntimo dessas pessoas, ocorre uma espécie de desbloqueio, e todas as barreiras morais e sociais se neutralizam, e elas entram em clima de “vale tudo”, como se fosse uma compensação pelo “comportamento exemplar de todo o resto do ano”. Alegam que “merecem” ser felizes por um dia e caem na folia.
Muitos divertem-se sadia e equilibradamente, apenas usando o momento para abolir as preocupações e afastarem-se das obrigações e responsabilidades diárias nem que seja por uns poucos dias.
Outros, porém, cometem todo o tipo de desvarios, comprometendo-se e às vezes levando outros de roldão em atos de imprudência, selvageria, colocando em risco sua integridade, às vezes a vida.
Tentar resolver ou esquecer os problemas pessoais durante os dias de folia carnavalesca, pode ser o pior caminho que alguém possa tomar.
Pois o carnaval, que parece na sua manifestação física como explosões de cores e alegria, traz a beleza descompromissada, mas ocorre que não há equilíbrio nas forças emocionais e passionais que estão libertas, ricocheteando no ambiente uma energia sem ajustes e sem limites, onde no meio das quais estão à espreita outros com as piores intenções, que absorvem avidamente essas energias, vampirizando intensamente os foliões invigilantes.
São portais que se abrem em regiões profundas e obscuras, deixando passar entidades vingativas, perversas, artífices na arte do ilusionismo, mostrando para os incautos que se “divertem”, situações de êxtase, realizações, todo tipo de engodo auxiliado pelas drogas, pelo álcool, pela sexualidade exacerbada, de modo a aprisionarem facilmente quantos estejam a descoberto de sua proteção, inseguros de seus projetos de vida, desequilibrados emocionalmente, esvaziados de verdadeiros sentimentos, minados por angústias e rancores mal resolvidos.
Os blocos, a fuzarcas, escondem verdadeiros campos de batalha nos paralelos astrais.
Não existe acaso, e a Ordem e a Lei nunca se cumpre injustamente. Não há que se ter medo do carnaval e o posterior período da Quaresma. Em diferentes pontos do planeta, desde o início dos tempos, há periodicamente estes bolsões, estes “gaps” energéticos a sugarem aqueles que precisam ser acordados e sacudidos diante as Verdades, ou o resgate daqueles que abusaram da fé de outros, negociaram com o destino que não lhes pertencia, que esqueceram valores como respeito, amizade, cortesia.
Este texto não quer mostrar conceitos de falso moralismo, de ostentação de um comportamento sisudo e sombrio. Pelo contrário, o umbandista, quando alcança o auto-conhecimento, tem um constante sorriso nos lábios, seu coração nunca está vazio, suas mãos, sempre laboriosas. Não há espaço para tédio ou rotina na sua vida, porque ele aprendeu a fazer acontecer, aprendeu a guiar seus dias e suas horas de maneira proveitosa, sem perder tempo em contendas menores, pelejas inúteis. Não sente necessidade de compensar nada, pois já se encontra bem e em equilíbrio. Não sente necessidade de “sair do sério”, “compensar o resto do ano”, “cair na gandaia”… Até porque sabe que por trás do ambiente glamuroso há um outro à, ávido e perigoso.
E que uns poucos dias de alienação compulsória não mudarão o cenário de um mundo que está passando por profundas modificações socioeconômicas, geológicas, ideológicas, num panorama preocupante com as freqüentes catástrofes ambientais, com a miséria descortinada, como temos visto em várias regiões da África e do Haiti, e lugares com profundos estremecimentos políticos com as Coréias e eternas desavenças, e as preocupantes áreas de conflito no Oriente Médio, agora estando na berlinda o Egito, a Líbia e Barhein. Que tristeza ver as pirâmides milenares dos faraós ameaçadas, e o berço do mundo ainda em caos…
O Carnaval para o religioso, não só o umbandista, deveria ser um momento de reflexão. Repensar os verdadeiros valores, observar que nada é tão precioso como os relacionamentos puros e sinceros, que se fortalecem ao passar dos anos e se renovam em meio a crises.
Pode perfeitamente ser um momento de descanso e descontração do físico, sair um pouco da rotina pesada de trabalho, estudo, numa oportunidade de maior interação com a família e amigos, na meditação saudável sobre planos, resolução de metas, construção de sonhos. Na vibração positiva pela Humanidade e sua evolução, na reflexão profunda sobre seu caminho, suas certezas, suas metas. No pensamento de Paz e Harmonia Universal, obtenção de uma reserva de Serenidade, clareza de mente, Esperança, Fé.
Como umbandista, acredito que nesta época do ano, abrem-se determinados portais.
Alguns de nós acreditam que os Orixás afastam-se do planeta, e coincidentemente os ocultistas afirmam que nesta época do ano até final de julho, o planeta fica sujeito a vibrações negativas, e depois percorre o lado oposto até o lado extremo positivo, no evento do Natal. Na Umbanda coincide com o dia 26 de julho, dia de Nanã, poderosa
Orixá que vai direcionando a roda da vida em mais um ciclo.
Na época de carnaval, quem está alcançável em Terra são os Exus de Lei, os Exus guardiões, que patrulham a crosta brasileira, como o fazem em outras ocasiões em vários momentos no mundo. O pensamento excessivamente libertino que permeia a ambiência prejudica o equilíbrio, atrai espíritos vingativos, malévolos, vampirescos, onde não convém fazer oferendas. Quem as faz, ou é incauto ou não tem boa inteção.
Os dirigentes de todos os terreiros orientam que se os umbandistas forem participar das festividades carnavalescas, não coloquem fantasias e máscaras. Apresentem-se exatamente como são, sem engodos e sem ilusões, respeitando-se e respeitando os outros, sem abusos de bebidas, sem ingerir drogas, e se resguardem, pois estarão conscientes que os locais estão densos, pesados de todo tipo de pensamento. Na maioria dos Terreiros é feito um ritual na quarta ou quinta-feira. Em algumas Casas até mesmo fazem oferendas, mas na maioria é apenas uma gira entre os filhos da Casa onde acendem uma vela de sete dias para permanecer “Exu aceso” nesta época de folia, em outros faz antecipadamente, mas o Pai ou Mãe no Santo após o término da vela acende outra, apenas para resguardar os seus filhos. Estas giras na maioria das vezes é fechada, ou seja, não aberta ao publico, apenas para os filhos da Casa.
Para finalizar, vamos refletir que ao citarmos influências positivas e negativas, não devemos considerá-las exatos sinônimos de Bem e Mal. Devemos ter a compreensão que todos estaremos sempre passando do pólo negativo ao positivo, faz parte da roda da vida, e isso os taoístas sempre compreenderam bem, um pólo se interpondo ao outro, quando se esgota o pólo negativo, já está inserido o pólo positivo. Pelo mesmo motivo aprendemos que não existe escuridão absoluta, e que quando algo chega até o fim de sua capacidade, se inicia um novo ciclo em outra direção. Todos passamos por isso, e ao passarmos pelo pólo negativo, se estivermos cheios de pensamentos desarmonizados, estaremos mais suscetíveis a suas conseqüências. Se ao passarmos pelo pólo positivo, não tivermos nos dedicado à auto-iluminação, nada veremos, nada aproveitaremos, será como se tudo fosse igual pois não estaremos em condição de vibrar com aqueles que estão nesta faixa. È bem diferente de ser bom ou mau. Todos passam pelo positivo e negativo, e assim, seria grande preconceito dizer que se está sempre do lado positivo e da Luz. Estou tentando expressar, que não é o fato do mundo estar circulando do lado positivo ou negativo, mas o fato de quem nós realmente somos quando passamos por estas vibrações. Logo, o que a vida traz para cada um, não depende do mundo exterior ou de outras pessoas, mas o que cada um está fazendo dela, em cada minuto que estivermos encarnados.
Que cada dia traga a verdadeira Felicidade e Bem Estar a cada um, com a proteção e vibração das Forças Maiores.
 
Sarava!

Estejam todos em paz!

Alex de Oxossi
Rio Bonito – RJ
http://povodearuanda.wordpress.com/

A origem do carnaval


A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-feira de Cinzas, o primeiro dia da Quaresma. A palavra "carnaval" está, desse modo, relacionada com a ideia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão "carnis valles", que, acabou por formar a palavra "carnaval", sendo que "carnis" do grego significa carne e "valles" significa prazeres.
Em geral, o carnaval tem a duração de três dias, os dias que antecedem a Quarta-feira de Cinzas. Em contraste com a Quaresma, tempo de penitência e privação, estes dias são chamados "gordos", em especial a terça-feira (Terça-feira gorda, também conhecida pelo nome francês Mardi Gras), último dia antes da Quaresma Nos Estados Unidos, o termo mardi gras é sinônimo de Carnaval.
O carnaval da Antiguidade era marcado por grandes festas, onde se comia, bebia e participava de alegres celebrações e busca incessante dos prazeres. O Carnaval prolongava-se por sete dias na ruas, praças e casas da Antiga Roma, de 17 a 23 de dezembro. Todas as actividades e negócios eram suspensos neste período, os escravos ganhavam liberdade temporária para fazer o que em quisessem e as restrições morais eram relaxadas. As pessoas trocavam presentes, um rei era eleito por brincadeira e comandava o cortejo pelas ruas (Saturnalicius princeps) e as tradicionais fitas de lã que amarravam aos pés da estátua do deus Saturno eram retiradas, como se a cidade o convidasse para participar da folia.
No período do Renascimento as festas que aconteciam nos dias de carnaval incorporaram os baile de máscaras, com suas ricas fantasias e os carros alegóricos. Ao caráter de festa popular e desorganizada juntaram-se outros tipos de comemoração e progressivamente a festa foi tomando o formato atual.
O Congado é uma manifestação cultural e religiosa de influência africana celebrada em algumas regiões do Brasil.
Trata basicamente de três temas em seu enredo: a vida de São Benedito, o encontro de Nossa Senhora do Rosário submergida nas águas, e a representação da luta de Carlos Magno contra as invasões mouras.
O Congado originou-se na África no país do Congo, inspirando-se no Cortejo aos Reis Congos que era uma expressão de agradecimento do povo aos seus governantes. Ao receber a colonização portuguesa, vários africanos foram trazidos para o Brasil para serem escravos e acabaram trazendo esta tradição e mesclando com a cultura local.
No Brasil o Congado é celebrado em várias localidades como Cametá/PA, no Espírito Santo, Bahia, Rio Grande do Sul, Armação de Itapocoroy/SC, Catalão/GO, Atibaia/SP, Mogi das Cruzes/SP, Pedra Bela/SP, Santo Antônio da Alegria/SP, Machado/MG, São João del-Rei/MG, Uberlândia-MG, São Sebastião do Paraíso/MG, São Gonçalo do Sapucaí-MG, Pedro Leopoldo-MG dentre outras.
Em Minas Gerais além da devoção a Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Há também a devoção da santa, conhecida como protetora do lar, Santa Efigênia.
Em Pirenópolis, Goiás, o congado faz parte da Festa do Divino Espírito Santo, desde o início da festa em 1819.
O congado, também chamado de congo ou congada mescla cultos católicos com africanos num movimento sincrético. É uma dança que representa a coroação do rei do Congo, acompanhado de um cortejo compassado, cavalgadas, levantamento de mastros e música. Os instrumentos musicais utilizados são a cuíca, a caixa, o pandeiro, o reco-reco. Ocorre em várias festividades ao longo do ano, mas especialmente no mês de outubro, na festa de Nossa Senhora do Rosário. O ponto alto da festa é a coroação do rei do Congo.
Na celebração de festas aos santos, onde a aclamação é animada através de danças, com muito batuque de zabumba, há uma hierarquia, onde se destaca o rei, a rainha, os generais, capitães, etc. São divididos em turmas de números variáveis, chamados ternos. Os tipos de ternos variam de acordo com sua função ritual na festa Cucumbi é um estilo de dança brasileiro. Não se sabe ao certo a origem do Cacumbi, ou Cacumbi. Acredita-se que é uma variação de outros tipos de dança como Congada, Guerreiro e Reisadoe no cortejo: Moçambiques, Catupés, Marujos, Congos, Vilões e outros.
O grupo apresenta-se na Procissão de Bom Jesus dos Navegantes e no Dia de Reis, quando a dança é realizada em homenagem a São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. Pela manhã, os integrantes do grupo assistem à missa na igreja, onde cantam e dançam em homenagem aos santos padroeiros. Depois das louvações, o grupo sai às ruas cantando músicas profanas e, à tarde, acompanham a procissão pelas ruas da cidade.
Seus personagens são o Mestre, o Contra-Mestre e os dançadores e cantadores; o grupo é composto exclusivamente por homens. Os componentes vestem calça branca, camisa amarela e chapéus enfeitados com fitas, espelhos e laços. Só o Mestre e o Contra-Mestre usam camisas azuis. O ritmo é forte, o som marcante e o apito coordena a mudança dos passos. Os instrumentos que acompanham o grupo são: cuíca, pandeiro, reco-reco, caixa e ganzá.
O maculelê é remanescente do cucumbi, e hoje tem vida própria.
No Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX, muitos grupos de cucumbis desfilavam pela cidade no período de carnaval. Com o tempo esses grupos tradicionalmente negros foram incorporando características das diversas brincadeiras carnavalescas que tomavam as ruas cariocas nos dias de folia. Na década de 1880, os jornais já publicavam notícias de Cucumbis Carnavalescos apresentando-se na cidade.
Os Cucumbis Carnavalescos estão ligados ao surgimento dos Cordões Carnavalescos no início do século XX.
Pesquisado por Géro Maita

terça-feira, 1 de março de 2011

Senzala, nossas prisões interiores

                 
Perdas        
          Grandes perdas às vezes significam grandes decepções.
          Mas como perdemos aquilo que não é nosso?
         Meus filhos julgam, às vezes, que perderam um ente querido pela morte. Mas essa visão é errada. Solte o seu parente que você julga morto. Aprenda a libertar a sua alma e deixar que ele voe nas alturas de sua própria vida.
         Muitos dos filhos acham que reter significa possuir. Engano. Na vida, o que possuímos de verdade é aquilo que doamos.
         Se você desejar reter as almas queridas, através de suas emoções e sentimentos desequilibrados, você se transforma aos poucos em pedra de tropeço para aqueles que você diz amar.
         Amor não é posse. Amar é doar, é libertar, é permitir que o outro tenha a oportunidade de escolher e trilhar o caminho que lhe é próprio. Amar é permanecer amando, mesmo sabendo que os caminhos escolhidos são diferentes do nosso.
         Então, meu filho, você não perdeu ninguém, não perdeu nada. Perdeu, talvez, a oportunidade de aproveitar a experiência e aprender a mar de verdade. Esse sentimento de perda é o maior atestado de uma alma egoísta.
         Ame mais, meu filho. Liberte-se e procure ser feliz. Mas, pelo amor de Deus, deixe os outros prosseguirem e, assim, encontrarem também o seu caminho. Ainda que seja do outro lado da vida. Ou talvez desse mesmo lado. Quem sabe?
         É preciso continuar amando. Mas é necessário que você entenda: seu tempo em companhia daquela alma que você diz amar já passou.
         Aprenda de uma vez, meu filho. Toda posse, todo apego é caminho para a obsessão.
         Pense nisso um pouco.
Pai João
Livro Sabedoria de Preto Velho

Assista o vídeo da palestra:
"Senzala, nossas prisões interiores"


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