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sábado, 23 de abril de 2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Magnetismo no duplo etéreo - astral ou perispírito


Eteriatria é uma forma de tratamento magnético  que conjuga energia magnética de origem mental (talvez em forma de "força vital") com energia de alta freqüência vibratória proveniente da imensidão cósmica, convenientemente moduladas e projetadas pela mente do operador sobre o consulente. Faz parte das técnicas ligadas a apometria.
Para bem compreender em que consiste a eteriatria, esta técnica da apometria, basta considerar os estados da matéria. Em estado natural, por exemplo, a água é líquida: moléculas afastadas umas das outras e permitindo extrema mutabilidade de forma. Se congelada, solidifica-se: moléculas justapostas. Mas, evaporada por ação do calor, transforma-se em gás; as moléculas se afastaram tanto que a água perdeu a forma.
Assim a área visada do duplo etéreo, nas camadas subjacentes e interpenetradas com o corpo astral - perispírito - se tornará plástico e maleável por alguns minutos, as moléculas afastadas umas das outras na medida da intensidade da energia que lhes foi projetada. O processo inicia no nível vibratório que tangencia o períspirito justapostpo ao  corpo etérico e, se empregada suficiente energia radiante, se refletirá no corpo físico.
Eteriatria seria a técnica de tratamento do corpo etérico , sua constituição, propriedades, fisiologia e inter-relações com o corpo físico e, principalmente o perispírito - ou corpo astral -, pois da interpenetração dos dois que nascem os fulcros energéticos desequilibrados que pelo processo natural de ressonância vibratória repercutem no físico na forma de, muitas vezes, metástases e desarranjos atômico - moleculares - que causam as doenças, inclusive o câncer... Assim como a Medicina Clássica trata do corpo físico, a Eteriatria trata da dimensão energética (corpo etérico nas camadas que se ligam ao períspírito).
Mentaliza-se fortemente o corpo do enfermo, desejando fixamente a diminuição de sua coesão molecular, para receber tratamento energético adequado. "Coesão" é definida genericamente, como a propriedade que têm os corpos de manter estável a sua forma, desde que não sujeitos à ação de forças deformantes. Resulta das forças atrativas entre moléculas, átomos ou íons que constituem a matéria.
Faz-se contagem firme, em que os pulsos sejam pausados, porém carregados de energia. Repete-se a contagem duas, três vezes. O corpo físico não acusa a menor mudança de forma, nem de textura. Mas o corpo etérico se torna mole, menos denso, pronto a receber tratamento. Sensitivos videntes logo registram o fenômeno, assim como os médicos desencarnados que estão tratando o doente. (Os médicos imediatamente se valem da nova situação para intervir mais profunda e facilmente no corpo astral - períspirito -  e mesmo no etérico, tratando-os).
Simultaneamente que interferimos, assim, na coesão molecular do corpo físico e etérico e astral, projetamos energia para dissolução das compactas massas de energia de baixa freqüência vibratória - quase sempre de coloração escura - sobre o corpo etérico. Energias estas que estão, muitas vezes, na raiz da enfermidade. Em seguida, aplicamos nas áreas lesadas energias vitalizantes, fazendo-as circular através dos tecidos por meio de passes magnéticos localizados, de pequena extensão. Nos processos mórbidos a circulação da vitalidade ao longo do corpo fica comprometida, de modo mais ou menos semelhante ao do estado inflamatório dos tecidos - em que a linfa e a própria circulação sangüínea se estagnam, provocando dores, edemas e ingurgitamentos dos tecidos afetados. Uma vez dissociadas essas energias estagnantes (que aos videntes aparecem como nódoas escuras), os tecidos ficam mais permeáveis às energias vitalizadoras, que aceleram o processo da cura.
Indispensável, para todo o processo ser bem sucedido, o amparo e cobertura do mundo espiritual. Somente os mentores do lado de lá tem o alcance vibratório para avaliarem caso a caso o merecimento cármico de cada um. Da nossa parte, implementamos os procedimentos, doamos amor e fluídos animais - ectoplasma -, mas nos é impensável adotarmos tais técnicas sem a parceria com os guias espirituais, notadamente pelo nosso baixo nível moral evolutivo, eis que ainda a chama ardente do Cristo Interno nos é muito tênue.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Desfiguração de Jesus

O interesse em desfigurar  Jesus vem dos planos inferiores do mundo espiritual e se manifesta de várias formas: pelas comunicações mediúnicas inferiores, pelas intuições dadas a adeptos do Cristianismo e do Espiritismo , sempre atribuindo a Jesus posições, palavras e atitudes que o coloquem em situação crítica pelas pessoas de bom senso.

Para isso, as entidades mistificadoras se aproveitam da ignorância e da vaidade de criaturas autoritárias e arrogantes, que facilmente se deixam levar por elogios e posições lisonjeiras que podem exaltá-las na instituição a que pertencem.

A gigantesca luta empreendida pelo apóstolo Paulo, após a sua conversão, para preservar os ensinos de Jesus e da sua excelsa figura, em meio aos próprios apóstolos do Mestre, revela de maneira eloquente, a dificuldade dos homens para compreenderem a Verdade Cristã.

Os gnósticos-docetas do primeiro século sustentavam que Jesus não tinha realidade física, que o seu corpo era apenas aparente. Sua posição contrariava as teses da encarnação do Cristo, apresentando-o como uma espécie de Deus mitológico, sob a influência das idéias helenísticas. O Docetismo exerceu grande influência em Alexandria, propagando-se a Éfeso, onde o apóstolo João instalara a sua Escola Cristã. João refutou a tese doceta como herética, pois além de não corresponder à realidade histórica, transformava o Cristo num falsário.

A fábula dos docetas ( como o apóstolo Paulo a classificou) apresentava-se como uma das mais estranhas desfigurações do Cristo, fornecendo elementos ricos e valiosos aos mitólogos para negarem a existência real e histórica de Jesus de Nazaré.

Essa teoria absurda reapareceu na França, através de uma obra confusa e carregada de pesado misticismo ridicularizante. Um advogado de Bordeaux, Jean Baptiste Roustaing, elaborou essa obra através de comunicações mediúnicas atribuídas a Moisés, os Apóstolos e os Evangelistas. Um grupo místico do Rio de Janeiro adotou com entusiasmo essa obra, conseguindo apossar-se da Federação Espírita Brasileira, e até hoje a propaga e sustenta, contra a maioria das instituições espíritas do Brasil e do mundo. É inacreditável o fanatismo dos roustainguistas, o que se justifica pela sua mentalidade anti-racional, apegada aos resíduos do passado mágico e mitológico, portanto contrária à posição racional, apegada aos resíduos do passado mágico e mitológico, portanto contrária à posição racional do Cristianismo e do Espiritismo. Esses defensores do absurdo chegam a citar a obra mistificadora Os quatro evangelhos, como uma das dez mais importantes da literatura mundial, e Roustaing, como uma das maiores figuras da Humanidade. Kardec condenou essa obra, o que provocou um revide de Roustaing.

Hoje só existe um símbolo para o Cristo: o da Ressurreição. Provada cientificamente a existência do corpo espiritual, provada a continuidade da vida triunfante após a morte, provada a herança de Deus na imensidade do Cosmos povoado de mundos, provada a ineficácia das instituições religiosas e seus métodos para levar os homens a Deus, pois que a maioria se afastou de Deus e o considera como superstição estúpida, só a figura do Cristo Ressuscitado, triunfando sobre a veleidade do poderes terrenos e confirmando em si mesmo a verdade dos seus ensinos, poderá libertar as consciências do apego às coisas perecíveis, dando-lhes a confiança no poder superior do espírito. Se somos espíritos não apenas um corpo material, e se temos a certeza de que Jesus continua vivo e a nos inspirar em nossas lutas no caminho do bem, por que cultivamos a morte e até mesmo as imagens de um cadáver que não foi encontrado no túmulo?


A desfiguração de Jesus atingiu o máximo nessas imagens frias que dormem o ano inteiro nas criptas das Igrejas, à espera do seu enterro anual, com luto, choro e velas acesas. O sadismo humano se revela num automatismo consciencial que se perpetua nas gerações sucessivas. Chegou o momento de compreendermos que Jesus está diante de nós, na plenitude de sua vida e seu poder, procurando despertar-nos do pesadelo da morte.

José Herculano Pires

Reflexões sobre a páscoa

Jesus condensa seu perispírito e se mostra a Maria de Magdala


E aí estão as procissões realizadas na Sexta-Feira Santa, simulacro que nos assusta desde tenra idade, do “enterro” de Jesus, realizadas à noite, com todo o aparato e negrume necessários à manutenção da nossa “culpa”.

Encontramo-nos, mais uma vez, na época da Páscoa. Páscoa é uma palavra hebraica que significa "libertação". Com o êxodo, a Páscoa hebraica significa a lembrança perene da libertação do povo hebreu da escravidão do Egipto, por Moisés.

Como cristãos, somos levados ao longínquo passado ao recordar a passagem de Jesus pela terra, a sua mensagem de perdão aos inimigos e de amor à humanidade inteira. Esta época tem para os espíritas um significado muito especial, pois lembra-nos que Jesus, vencendo a morte, nos transmitiu um ensinamento fundamental: o de que a vida continua para além do corpo físico, pois ele fez questão de aparecer aos apóstolos e a Maria de Magdala, após o sepultamento.


Mas, aqui reside uma diferença substancial entre as religiões judaico-crisas  e o espiritismo – a crença na ressurreição de Jesus.


Para nós, espíritas, Jesus ressurgiu no seu corpo perispirítico ou espiritual e não com o corpo físico, esse já em decomposição, com danos irreversíveis no cérebro ao fim de pouco tempo, de acordo com a ciência.


As Igrejas cristãs continuam defendendo a ideia de que o Cristo “subiu aos Céus” em corpo e alma, e de que o mesmo sucederá a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”.


A doutrina espírita, defensora da lógica e do bom-senso refuta essa teoria, pela impossibilidade física de seres que já faleceram ao longo dos séculos terem os respectivos corpos reconstituídos nas suas estruturas orgânicas no dia do juízo final. Poder-se-ia argumentar que a Deus nada é impossível, mas porque iria Ele derrogar as suas próprias leis naturais, recorrendo a milagres?! Para mostrar o Seu poder aos homens? Mas Deus apenas é. Nada precisa de provar.


Simultaneamente, tal ideia é contra qualquer noção de justiça e de moral, pois mais justa será sempre a concessão ao homem duma nova oportunidade de renascimento, tantas vezes quantas as necessárias, de modo a que este tenha a possibilidade de corrigir os erros cometidos e de evoluir no aprendizado intelecto-moral, de modo a alcançar novos patamares de crescimento, rumo à perfeição.


É pela lei dos renascimentos, que o homem se aproxima de Deus: ao “nascer de novo”, criam-se as condições de igualdade de oportunidades para todos os espíritos e cumprem-se as palavras de Jesus: “em verdade vos digo que ninguém verá a luz dos céus, se não nascer de novo”.


Outro aspecto que desde sempre nos foi transmitido pela religião judaico-cristã tradicional é a noção da “culpa”. Jesus sofreu o processo da crucifixação para nos “salvar” dos nossos “pecados”, cometidos desde Adão e Eva. E aí estão as procissões realizadas na Sexta-Feira Santa, simulacro que nos assusta desde tenra idade, do “enterro” de Jesus, realizada à noite, com todo o aparato e negrume necessários à manutenção da nossa “culpa”.


Para os espíritas, a Páscoa é a época de lembrar mais uma vez a necessidade da “libertação do homem velho”,  refletindo no exemplo de Jesus, possa nascer o “Homem Novo”.


Em vez de nos agarrarmos às exterioridades das celebrações pascais, aproveitemos esta época para tentarmos mudar alguns dos nossos hábitos, ser menos egoístas, mais caridosos e amigos com todos os que nos rodeiam. Essa a verdadeira mensagem que Jesus nos deixou e a certeza de que estará sempre ao nosso lado cuidando do nosso orbe e de cada um de nós, auxiliando-nos no reerguimento, após cada uma de nossas quedas.


Comemore, então, meu amigo, uma “outra” Páscoa. Não a do chocolate ou a do sofrimento, mas a sua Páscoa, a da sua “libertação”, refletindo na sua transformação interior, a Páscoa da valorização da própria vida na certeza da imortalidade.
Fonte: http://marcoaureliorocha5.blogspot.com/ 

terça-feira, 19 de abril de 2011

Umbandistas e a semana "santa" dos católicos

Preferimos um Jesus sorrindo, lembrar do seu exemplo vivo de imortalidade, do que ficar a reviver o seu sofrimento e sacrifício na cruz.


Teremos sessão normal nesta sexta-feira próxima.
Assim como nossos irmãos espíritas, respeitosamente consideramos a data uma data católica.
 
Todo ano, a cena se repete. Chega a época dos feriados católicos da chamada "Semana Santa" e surgem as questões: 

1. Como o Espiritismo encara a Páscoa;Sexta-feira Santa"?;

2. Qual o procedimento do espírita no chamado "Sábado de aleluia" e "Domingo de Páscoa"?;

3. Como fica a questão do "Senhor Morto"?

Sabe que chego a surpreender-me com as perguntas. Não quando surgem de novatos na Doutrina, mas quando surgem de velhos espíritas, condicionados ao hábito católico, que aliás, respeitamos muito. É importante destacar isso: o respeito que devemos às práticas católicas nesta época, desde à chamada época, por nossos irmãos denominada de quaresma, até às lembranças históricas, na maioria das cidades revividas, do sacrifício e ressurgimento de Jesus. 
Só que embora o respeito devido, nada temos com isso no sentido das práticas relacionadas com a data.

São práticas religiosas merecedoras de apreço e respeito, mas distantes da prática espírita. É claro que há todo o contexto histórico da questão, os hábitos milenares enraizados na mente popular, o condicionamento com datas e lembranças e a obrigação católica de adesão a tais práticas.

Para a Doutrina Espírita, não há a chamada "Semana Santa", nem tão pouco o "Sábado de aleluia" ou o "Domingo de Páscoa" (embora nossas crianças não consigam ficar sem o chocolate, pela forte influência da mídia no consumismo aproveitador da data) ou o "Senhor Morto". Trata-se de feriado e prática católica e portanto, não existem razões para adesão de qualquer tipo ou argumento a tais práticas. 
É absolutamente incoerente com a prática espírita o desejar de "Feliz Páscoa!", a comemoração de Páscoa em Centros Espíritas ou mesmo alteração da programação espírita nos Centros, em virtude de tais feriados católicos.
E vejo a preocupação de expositores ou articulistas em abordar a questão, por força da data... Não há porque fazer-se programas de rádio específicos sobre o assunto, palestras sobre o tema ou publicar artigos em jornais só porque estamos na referida data.
É óbvio que ao longo do ano, vez por outra, abordaremos a questão para esclarecimento ou estudo, mas sem prender-se à pressão e força da data.

Há uma influência católica muito intensa sobre a mente popular, com hábitos enraizados, a ponto de termos somente feriados católicos no Brasil, advindos de uma época de dominação católica sobre o país, realidade bem diferente da que se vive hoje. E os espíritas, afinados com outra proposta, a do Cristo Vivo, não têm porque apegar-se ou preocupar-se com tais questões.

Respeitemos nossos irmãos católicos, mas deixemo-los agir como queiram, sem o stress de esgotar explicações. Nossa Doutrina é livre e deve ser praticada livremente, sem qualquer tipo de vinculação com outras práticas. 
Com isso, ninguém está a desrespeitar o sacrifício do Mestre em prol da Humanidade. Preferimos sim ficar com seus exemplos, inclusive o da imortalidade, do que ficar a reviver a tragédia a que foi levado pela precipitação humana.

Inclusive temos o dever de transmitir às novas gerações a violência da malhação do Judas, prática destoante do perdão recomendado pelo Mestre, verdadeiro absurdo mantido por mera tradição, também incoerente com a prática espírita.

A mesma situação ocorre quando na chamada quaresma de nossos irmãos católicos, espíritas ficam preocupados em comer ou não comer carne, ou preocupados se isto pode ou não. Ora, ou somos espíritas ou não somos! Compara-se isso a indagar se no Carnaval os Centros devem ou não abrir as portas, em virtude do pesado clima que se forma???!!!... 
A Doutrina Espírita nada tem a ver com isso. São práticas de outras religiões, que repetimos respeitamos muito, mas não adotamos, sendo absolutamente incoerente com o espírita e prática dos Centros Espíritas, qualquer influência que modifique sua programação ou proposta de vida.

Esta abordagem está direcionada aos espíritas. Se algum irmão católico nos ler, esperamos nos compreenda o objetivo de argumentação da questão, internamente, para os próprios espíritas. Nada a opor ou qualquer atitude de crítica a práticas que julgamos extremamente importantes no entendimento católico e para as quais direcionamos nosso maior respeito e apreço.

Vemos com ternura a dedicação e a profunda fé católica que se mostram com toda sua força durante os feriados da chamada Semana Santa e é claro, nas demais atividades brasileiras que o Catolic ismo desenvolve.

O objetivo da abordagem é direcionado aos espíritas que ainda guardam dúvidas sobre as três questões apresentadas no início do artigo. O Espiritismo encara a chamada Sexta-feira Santa como uma Sexta-feira normal, como todas as outras, embora reconhecendo a importância dela para os católicos. Também indica que não há procedimento algum para os dias desses feriados. E não há porque preocupar-se com o Senhor Morto, pois que Jesus vive e trabalha em prol da Humanidade. 


E aqui, transcrevemos trecho do capítulo VIII de O Evangelho Segundo o Espiritismo, no subtítulo VERDADEIRA PUREZA, MÃOS NÃO LAVADAS (página 117 - 107ª edição IDE):
 
"O objetivo da religião é conduzir o homem a Deus; portanto, toda religião que não torna o homem melhor, não atinge seu objetivo; (...) A crença na eficácia dos sinais exteriores é nula se não impede que se cometam homicídios, adultérios, espoliações, calúnias e de fazer mal ao próximo em que quer que seja. Ela faz supersticiosos, hipócritas e fanáticos, mas não faz homens de bem. Não basta, pois, ter as aparências da pureza, é preciso antes de tudo ter a pureza de coração".

Não pensem os leitores que extraímos o trecho pensando nas práticas católicas em questão. Não! Pensamos em nós mesmos, os espíritas, que tantas vezes nos perdemos em ilusões, acreditando cegamente na assistência dos espíritos benfeitores, mas agindo com hipocrisia, fanatismo e pasmem, superstição.... Quando não conhecemos devidamente os objetivos da Doutrina Espírita, que são, em última análise, a melhora moral do homem.
Marco Aurélio Rocha  

domingo, 17 de abril de 2011

"Em verdade, se Exu fosse humanizado..."

"Mas vós, quem dizeis que Eu sou?"

"Em verdade, se Exu fosse humanizado e tivésseis que indicar um nome para defini-lo, o que mais se aproximaria pela similitude em essência cósmica libertadora seria um só: Jesus. Por tudo que o Divino Mestre realizou, andando nas ruas e trilhas da evolução - superou a maior de todas as encruzilhas que foi a cruz do calvário redentor-,  nunca estando limitado no espaço de um templo, transgredindo os valores da època; do judaísmo antigo, hipócrita e vaidoso; curando no sábado; dispensando os apóstolos do jejum, eis que para Ele era mais válido um sorriso; abraçando Maria de Magdala, que era considerada impura e proibida de ser tocada; enfim, por tudo que fez implementando as mudanças necessárias para a concretização da Boa Nova, podeis afirmar com muita tranquilidade que Jesus é a maior personificação de Exu que já houve na Terra. Sigais então resolutos transgredindo a hipocrisia dos que refutam Exu por preconceito, julgamento belicoso e medo, no mesmo caminho do Divino Mestre, levando a mudança aos que necessitam, aprisionados que estão em suas próprias sombras existenciais. Contribuam decisivamente com a nova consciência planetária que está em transição decisiva,  continuem a agir; entrem confiantes com o amparo de Exu nos umbrais dos espíritos chagados, troquem seus andrajos, limpem suas pústulas fétidas, refaçam suas formas perispirituais distorcidas em decomposições cadavéricas pelas subjugações hipnóticas, deêm àgua aos que esperam o amparo com a insuportável fadiga intensificada pela sede da fonte da vida eterna, assim como agiu Jesus com a mulher junto ao poço do Samaritano. Levem a mensagem saciadora que liberta,  sigam em frente com  o estandarte em chama ardente do Cristo, qual bisturi a laser que cauteriza extirpando a metástase letárgica das mentes aprisionadas nos antros trevosos, e Jesus estará convosco, assim como o Pai sempre esteve e está com Ele."


sábado, 16 de abril de 2011

Exu, o transgressor*

*Base de pesquisa para este artigo do original de Reginaldo Prandi, que sofreu adaptações.





Como mensageiro dos "deuses", Exu tudo sabe; não há segredos para ele, tudo ele ouve e tudo ele transmite. E pode quase tudo, pois conhece todas as receitas, todas as fórmulas, todas as magias. Exu trabalha para todos, não faz distinção entre aqueles a quem deve prestar serviço por imposição de seu cargo, o que inclui todas as divindades, mais os antepassados e os humanos. Exu não pode ter preferência por esse ou aquele. Mas talvez o que o distingue de todos os outros "deuses" é seu caráter de transformador: Exu é aquele que tem o poder de quebrar a tradição, pôr as regras em questão, romper a norma e promover a mudança. Não é, pois, de se estranhar que seja temido e considerado perigoso, posto que se trata daquele que é o próprio princípio do movimento, que tudo transforma, que não respeita limites. Assim, tudo o que contraria as normas sociais que regulam o cotidiano passa a ser atributo seu. Exu carrega qualificações morais e intelectuais próprias do responsável pela manutenção e funcionamento do status quo, inclusive representando o princípio da continuidade garantida pela sexualidade e reprodução humana, mas ao mesmo tempo ele é o inovador que fere as tradições, um ente portanto  nada confiável para todos que estão iludidos com a  personalidade de uma ùnica existência e sua materialidade,  com o plano concreto, com a vida finita de uma encarnação.  Então, equivocadamente, se imagina ser Exu dotado de caráter instável, duvidoso, interesseiro, turbulento e arrivista.
Para um iorubá ou outro africano tradicional, nada é mais importante do que ter uma prole numerosa, e para garanti-la é preciso ter muitas esposas e uma vida sexual regular e profícua. É preciso gerar muitos filhos, de modo que, nessas culturas antigas, o sexo tem um sentido social que envolve a própria idéia de garantia da sobrevivência coletiva e perpetuação das linhagens, clãs e cidades. Exu é o patrono da cópula, que gera filhos e garante a continuidade do povo e a eternidade do homem. Nenhum homem ou mulher podia se sentir realizado e feliz sem uma numerosa prole, e a atividade sexual é decisiva para isso. É da relação íntima com a reprodução e a sexualidade, tão explicitadas pelos símbolos fálicos que o representam, que decorre a construção mítica do gênio libidinoso, lascivo, carnal e desregrado de Exu-Elegbara, e associado ao mal, ao demônio, pelo clero sacerdotal católico obrigado ao celibato como se o sexo não fosse sagrado em sua funções reprodutoras.
Isso tudo contribuiu enormemente para modelar sua imagem estereotipada de orixá difícil e perigoso, que os cristãos,  notadamente em decorrência dos católicos, erroneamente, reconheceram como demoníaca. Quando a religião dos orixás veio a ser praticada no Brasil do século xix por negros que eram também católicos, todo o sistema teológico de pensar o mundo em termos do bem e do mal deu um novo formato à religião africana, no qual Exu veio a desempenhar outro papel. A visão “cristã” dos orixás confundiu Oxalá com Jesus, Iemanjá com Nossa Senhora, e outros santos católico com os demais orixás. Para completar o panteão afro-católico, sobrou para Exu ser confundido com o Diabo. Foi, portanto, o sincretismo católico que deu a Exu a identidade de um demônio. Mas essa identidade destorcida sempre foi católica e sincrética. Não tem nada de africana e a sua originalidade cósmica se encontra completamente distorcida e erroneamente humanizada.
Pensam os que se acostumaram a ver os orixás numa perspectiva imposta pelo catolicismo e hoje reforçada pelo evangelismo - o que nada tem haver com os princípios libertadores do evangelho à luz do cosmo deixados por Jesus-, que Exu deve ser homenageado em primeiro lugar para não provocar confusão, para não bagunçar a cerimônia, como se ele fosse um simples e oportunista arruaceiro. É uma visão bem simplista e demasiadamente falsa. Ora, Exu é antes de tudo movimento e nada pode acontecer sem ele, nem mesmo um pensamento sem  que haja movimento e deslocamento vibratório. Nada pode, portanto, se dar sem a interferência de Exu. Por isso ele é sempre o primeiro a ser invocado: é preciso permitir o movimento para que o evento, seja ele qual for, se realize, como por exemplo deslocar a energia de determinado orixá com um fim específico e benfeitor a um indivíduo ou  coletividade, ou, em sentido inverso, retirar-se a energia deletéria de um consulente e leva-lá para desintegrar-se junto a determinados campos de forças específicos de magnetismo telúrico da natureza. 
O movimento cósmico de Exu não é dotado de moralidade, nem poderia ser, pois se assim fosse o mundo ficaria paralisado, eis que a moral é relativizada pelo atemporal, pelas diversas èpocas existenciais da face do orbe. A vida é um pulsar permanente, e em cada passo, em cada avanço ou retrocesso, em cada mudança, enfim, Exu está presente. Tudo começa por ele; por isso ele é e será sempre o primeiro, desde que fomos criados como espíritos pelo Criador.




*Bibliografia usada na pesquisa do artigo:

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos orixás. São Paulo, Companhia das Letras, 2001.

PRANDI, Reginaldo. Segredos guardados: orixás na alma brasileira. São Paulo, Companhia das Letras, 2005.

SANTOS, Juana Elbein dos. Os nagô e a morte. Petrópolis, Vozes, 1976.

VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo. 5ª edição. Salvador, Corrupio, 1997.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Apometria na Fraternidade Ramatis “Hercílio Maes” das Faculdades Integradas Espírita

A Fraternidade Ramatis “Hercílio Maes” das Faculdades Integradas Espírita está com as inscrições abertas para um curso de apometria, cujas aulas iniciam nesta sexta-feira, dia 15. Os encontros serão quinzenais, até 8 de julho – às sextas-feiras, das 20h às 22h.

A apometria pode ser definida como o desdobramento dos níveis de consciência. Com o investimento de 2 quilos de alimento não perecíveis, que devem ser entregues no momento da inscrição, o curso vai abordar técnicas, conceitos e exemplos de trabalhos apométricos, entre outros temas.

Esta edição será mais aprofundada que a anterior, realizada no primeiro semestre de 2010, e terá como professores Gilberto Borba e Carlos Roberto de Sales, ambos dirigentes da Fraternidade.

A inscrição pode ser realizada no dia do curso. Mais informações pelo telefone (41) 3339-3938 – de segunda a sexta-feira, das 14h às 19h.

Fonte

FACULDADES INTEGRADAS “ESPÍRITA”
Comunicação Social – Assessoria de Imprensa “Jornalismo”
Rua Tobias de Macedo Junior, n. º 246.
Bairro Santo Inácio – Curitiba – Paraná
Fone: (41) 3111-1715
Assessora de Imprensa: Jornalista Fernanda Foggiato DRT 6593/PR

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O homem evangelizado

"O homem evangelizado, o herói sideral, ou autêntico vencedor da batalha da vida humana, sabe perfeitamente que os seus maiores inimigos são os vícios, as paixões degradantes e os prazeres extravagantes! São bens transitórios e não-duradouros [...]. 

Embora considerado um tolo ou um pobre de espírito, porque se apaga na competição violenta do mundo carnal, o evangelizado é justamente a alma livre e emancipada, que então domestica essas forças animais alojadas em si mesmas e dominantes na face triste do orbe físico.

[...] O evangelizado é um fraco perante o mundo de César, aliás, presa fácil da rapina alheia, ou aparente fracassado em qualquer iniciativa utilitarista ou mercenária do mundo. No entanto, suposto mendigo entre os homens ambiciosos, é o gigante indestrutível e poderoso, mobilizado de armas superiores para um reino onde a vida é autêntica porque definitiva!

[...] O homem conscientemente evangelizado quando agredido perdoa, espoliado ajuda, ferido conforma-se, injustiçado confia e insultado ama! Em vez de discutir para sobreviver, prefere sucumbir para ressuscitar, confiante na promessa do Cristo, que assim disse: Aquele que der a vida por mim, ganha-la-á por toda a eternidade!"


Fonte: Ramatís - O Evangelho à luz do cosmo. 2ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1983, p.120.

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