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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Adivinhações - prevendo o futuro.


      Diante dos que usam cultura ou mediunidade para traçar prognósticos, acerca do futuro, não é necessário dizer que nos cabe acompanhar-lhes as experiências com a melhor atenção.        
      A ciência é neta  da curiosidade e filha do estudo.  A alquimia da Idade Média iniciou as realizações da química moderna.  De certa maneira, os astrólogos do pretérito começaram a obra avançada dos astrônomos de hoje.       
       O conhecimento nasce do esforço de quantos se dedicam a desentranha-lo da obscuridade ou da ignorância.  No entanto, do respeito aos irmãos de Humanidade que se consagram ao mister da adivinhação, não se infere que devemos aceitar-lhes cegamente as afirmativas.       
       Especialmente no que se reporte a profecias inquietantes, é imperioso ouvi-los com reserva e discrição, porquanto estamos informados pela Doutrina Espírita de que não existe a predestinação para o mal.       
     Renascemos na Terra, indubitavelmente, com as nossas tendências inferiores e com os nossos débitos, às vezes escabrosos, por ressarcir, mas isso não significa estejamos obrigados a reincidir em velhas ilusões ou reacomodar-nos com a força das trevas.       
        O aluno regressa à escola na condição de repetente ou se encaminha para os exames de segunda época, a fim de se firmar na dignidade do ensino em que se comprometeu.       
    Clarividentes que desenvolveram faculdades psíquicas, fora do esclarecimento espírita evangélico, podem recolher observações infelizes a nosso respeito, seja relacionando cenas de nosso passado culposo ou descrevendo-nos quadros menos dignos,  projetados mentalmente sobre nós pelas ideias enfermiças daqueles que se fizeram nossos inimigos em outras eras;  e das palavras que articulam podem surgir sombrios vaticínios ou apontamentos desencorajadores, tendentes a enfraquecer-nos a coragem ou aniquilar-nos a esperança.  Oponhamos, porém, a isso a certeza de que estamos reformando causas e efeitos diariamente, em nosso caminho, na convicção de que a Divina Providência nos oferece, incessantemente, através da reencarnação, oportunidades e possibilidades ao próximo reajuste perante as leis da vida, armando-nos de recursos e bênçãos, dentro e fora de nós.        
      Conquanto estudando sempre os fenômenos que nos rodeiam, abstenhamo-nos de admitir o determinismo do erro, do desequilíbrio, da queda ou da criminalidade.       
      Hoje é e será constantemente a ocasião ideal para transformarmos maldição em bênção e sombra em luz.  Ergamo-nos, cada manhã, com a decisão de fazer o melhor ao nosso alcance e reconheçamos que o próprio Sol se deixa contemplar, nos céus, de alvorecer em alvorecer, como a declarar-nos que o Criador Supremo é o Deus da Justiça, mas também da Misericórdia, da Ordem e da Renovação.

Emmanuel / Chico Xavier
Obra: Encontro Marcado  

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A Umbanda Juremeira - Caboclos e Mestres da Jurema e do Catimbó.


Pergunta – Sabemos que na região nordeste do Brasil se pratica uma “umbanda juremeira” em que as entidades espirituais são chamadas de encantados. Outros dizem que esta seria o culto religioso mais brasileiro. Estes comentários tem procedência?
Pai Tomé – Meu filho, a Umbanda é uma só. Entendemos perfeitamente as variações regionais e o Alto incentiva esta amalgamação. Os Maiorais do Espaço que regem a religião Umbanda do Astral para a matéria sabem que as diferenças não devem separar e sim unir as consciências. Em verdade a Jurema (Acacia Nigra), é a árvore sagrada dos indígenas brasileiros há milênios. Nela concentram-se os valores fitoterápicos e místicos de um ritual milenar que se perde no evo dos tempos e que podemos afirmar ser o mais genuíno dos brasileiros muito antes que influências religiosas de outras localidades do planeta aqui aportassem. Claro está que por ser um ritual totalmente brasileiro é o único que se equivale aos seus congêneres africanos por ter sua própria Raiz e Origem, dado os conhecimentos primevos dos Tupis, Caetés, Tabajaras, Potiguás, Tapuias, Pataxós e outras nações indígenas brasileira. Seus protetores espirituais eram até a chegada do branco europeu católico e dos africanos; Tupan, Yara, Caapora, Curupira, Boiúna, Mo Boiátatá, Jaguá, Rudá, Carcará e outros mais. Eram de tribos diferentes, mas cultuavam os mesmos deuses aos pés da mesma árvore: a Jurema sagrada. Não por acaso uma plêiade de espíritos atuam na caridade umbandista com o nome de Caboclas Juremas, flecheiras de Oxossi. Nestes aspectos de origem ancestral divinizada, podemos afirmar que o arquétipo mítico  Caboclo é o “orixá” genuinamente brasileiro. 
         Com o processo de miscigenação o culto original se modificou perdendo sua força mágica primitiva. Na mistura entre os indígenas e o branco, entre indígenas e o negro, suas culturas, seus arquétipos, seus usos e costumes deram nascimento ao “caboclo” (mestiço). O ritual da Jurema, passou vulgarmente a ser chamado de “Catimbó”, devido ao uso de cachimbos durante sua prática, podendo tanto ser feito sobre uma mesa como no chão. As forma são distintas, com objetivos as vezes diferentes, mas sempre objetivando a cura e o alento dos cidadãos menos favorecidos. A Umbanda Juremeira é a prática da Umbanda com fortes influências do ritual de Jurema sincretizado,  espiritismo e catolicismo aos moldes da Umbanda popular praticada na região sudeste, com a veneração aos orixás e a Jesus – o divino Oxalá.

Texto do livro REZA FORTE.

domingo, 27 de outubro de 2013

As mulheres no evangelho.


Sinhá das Neves...Faz alguma coisa...


Ninguém no vilarejo sabe como começou o apelido de Das Neves porque o nome verdadeiro era Maria Aparecida do Horto das Graças de Todos os Santos. Foi assim que seus pais a batizaram porque quando nasceu era tão pequenina e frágil que a mãe tinha até medo de pegar no colo. Parecia um filhote de passarinho, cabelinho arrepiado e um fiapo de voz que imitava piado de pardal e os pais com medo que a criança não vingasse fizeram promessa para todos os santos de sua predileção, prometendo registrar e homenagear todos eles. Agarraram-se com tanta força na promessa que a menina vingou e cresceu mirrada, franzina, as pernas pareciam taquarinhas ao vento. Primeiro foi chamada de Santinha depois trocaram para Sinhá das Neves. Desde pequena tinha a mania de andar com um raminho verde nas mãos e passava nos animais, no arvoredo e onde tivesse oportunidade, se as pessoas se descuidassem o toco de gente passava o galhinho nas pernas dos adultos, resmungando coisas incompreensíveis e fazendo uma imitação do Sinal da Cruz. Quando a mãe perguntava o que estava fazendo ela respondia na maior simplicidade que estava “bençoando” e o povo acostumado a vê-la daquele jeito, sorria e fazia sinal com a cabeça em respeito à benzedeira em potencial que reconheciam na menina. Quando alguém de brincadeira solicitava para benzer, Maria do Horto na sua inocência mandava ver na benzedura, colocando toda a sua concentração, preocupada em ajudar quem pedia.
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