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quinta-feira, 9 de maio de 2013

O rosário dos pretos velhos


Ecoou um canto vindo de longe
Num lindo dia uma luz do céu brilhou

  
         Meus pais foram trabalhadores ativos da Umbanda. Tenho uma lembrança na memória que me é marcante: eu em pé no berço vendo minha mãe passar a saia branca para ir para o terreiro. Creio que tinha mais ou menos um ano de idade. Nunca me esqueci desta cena. 

         Morando no Rio de Janeiro, no bairro da Pavuna, por volta de sete anos de idade acudiu-me uma terrível urticária por todo o corpo. Mesmo tendo ido ao médico, passando pomada e tomando corticoides não cedeu a incômoda descamação da pele, que se encontrava numa vermelhidão como se eu tivesse ficado ao Sol de quarenta graus um dia inteiro. Neste estado, sem dormir a uns três dias, com intensa coceira por todo o corpo, inclusive dentro das bochechas da boca e nas solas das mãos e pés, fui levado ao centro de Umbanda que meus pais trabalhavam e atendido pelo preto velho do chefe de terreiro que benzia os consulentes com um rosário de lágrimas de nossa senhora sempre na mão direita. A entidade disse aos meus pais que eu tinha compromisso nesta vida com os Orixás e que era necessário, urgentemente, ser feito um preceito para Omulu para que eu me curasse. Foi feito um banho de ervas de imediato e eu fui para a casa, devendo retornar ao terreiro todos os dias ao final da tarde para tomar banho de ervas por sete dias consecutivos. No terceiro dia eu não tinha mais nada, a vermelhidão cessara, a descamação era mínima e a pela já retornara a sua textura emoliente natural. 

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Entre médiuns - o efeito da paixão arrebatadora e a etiologia espiritual das causas geradoras.

               
               A noite estava fria. O inverno começava a se mostrar em sua plenitude e uma névoa transformara a cidade sulina. Prestando atenção à paisagem a sua volta, com a neblina engolindo os prédios e as praças, Ana sentiu-se dentro de um conto de Sherlock Holmes. Apesar de estar acostumada, a umidade que escorria nos vidros do carro deixava tudo estranho. Lembrou-se que esquecera a sombrinha e rezou para não chover.

Ana estava se dirigindo para a Casa Espírita, como fazia semanalmente.  Frequentava a mesma há bastante tempo e participava do atendimento de emergência. Diante deles desfilavam problemas de toda ordem. Às vezes batia um desânimo tão grande, por assistir pessoas que não estavam interessadas em melhorar e buscavam somente resolverem suas pendengas de forma imediata e descompromissada. Seres que não entendem que não existe cura sem merecimento. Os problemas e as doenças fazem parte da nossa caminhada e do uso dos talentos de que fomos dotados e através dos quais deveremos encontrar as soluções e não ficar choramingando e pedindo ao Pai Maior, para resolver por nós que ficamos esperando um milagre acontecer, sem levantar um dedo sequer.

               Chegou remoendo os pensamentos e um tanto contrariada pelas condições climáticas, pelo trânsito caótico, tiritando de frio, entretanto precisava se concentrar para o trabalho da noite.  E assim fez.

               Num determinado procedimento, Ana precisou impor as mãos sobre uma mulher e suas mãos roçaram as mãos de um trabalhador do grupo. Um choque percorreu o sistema nervoso de ambos e foi explodir na cabeça. Surpresos olharam-se e não conseguiram desviar o olhar. Estavam anestesiados. Tentaram disfarçar e continuar. Foram surpreendidos com novo toque de mãos e tudo aconteceu novamente. Os demais não perceberam e ela pensou que era apenas uma pequena coincidência, fruto da imaginação. Não falaram sobre o acontecido e foram cada um para suas casas.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

É injusto sermos enfeitiçados?

PERGUNTA: - Não seria injusto sermos enfeitiçados quando já nos empenhamos na renovação de nossa conduta moral e cooperamos, também, na edificação de obras filantrópicas em favor do esclarecimento espiritual alheio?
            RAMATÍS: - As vicissitudes, dores e os desenganos são tão peculiares na face da Terra, como o calor é um produto natural do fogo! Sem dúvida, a diferença de sensibilidade espiritual faz certas criaturas sofrerem mais do que as outras, embora todas estejam submetidas às vicissitudes e padecimentos semelhantes. Enquanto a Terra é um orbe desagradável e injusto para os mais sensíveis, constitui-se num ótimo viver para as criaturas afinadas à violência, pilhagem, intriga, maldade, ao ciúme, ódio e egoísmo! O mesmo pântano que exala o gás metano, onde o beija-flor viveria um inferno, é um paraíso para a vida do sapo! As pessoas habituadas à limpeza e higiene de suas residências bem-tratadas sentem-se aflitas no ambiente sórdido das favelas.
            O certo é que no cenário do mundo terrícola viceja o crime, o roubo, o acidente, a exploração e a morte, independentemente das virtudes e dos méritos dos espíritos encarnados! Os homens terrenos ainda são como os doidos dos asilos, pois fazem uma porção de coisas desatinadas e perigosas, contra eles próprios! Por isso, os espíritos primários vivem melhor na Terra, assim como o animal selvagem também se ajusta melhor na mata virgem! Em verdade, enquanto o príncipe rasga o seu delicado traje de seda na sarça miúda, o aldeão imuniza-se com a roupa de couro entre os espinheiros mais bravios!

Do livro Magia de Redenção.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Os significados do Congá - altar - na Umbanda.


Em todos os tempos o altar teve o propósito de centralizar o conjunto vibratório.
Desde remotas eras o fogo , a chama sobre o altar simbolizava  a luz divina, desde Atlântida, passando pelos egípcios, gregos , hindus  , celtas e Tb os romanos.  Se lembrarmos que  durante séculos, , milênios, a iluminação era feita pelo fogo.  Até hoje , acendemos velas , representando a luz, o divino.

·    Kardec, foi sacerdote druida, e eles faziam o altar  nas florestas , para trabalharem diretamente com as forças da natureza.
Na umbanda  o gonga tem a mesma função, pois nele está a centralização,  a convergência vibratória

Os elementos dispostos nos altares tem a função específica  de atraírem nossas mentes para um foco, nos remetendo a um referencial que sucite uma identificação com o sagrado, ou com os elementos de nossa fé.

Se associamos o criador a luz, a chama  no altar remete  nosso inconsciente a se identificar com a chama divina. Feita a identificação ( a nível inconsciente) nos tornamos reverentes, buscando  o mais alto ou o mais puro, o mais sincero de nós para se comunicar...então elevamos nosso padrão vibratório, e nos tornamos sem o saber, mais receptivos  às energias  que vem do alto.

O  livro Umbanda –Pé –no Chão define o  gongá ( altar) como o mais potente aglutinador de forças do terreiro. Ele coloca o altar com: atrator , condensador , escoador, expansor, transformador e alimentador de diferentes energias.

Atrator- o altar atrai pensamentos referentes as imagens  e aos elementos que apresenta...quanto mais harmonioso, maior a atração. Aquilo que é visto  é vibrado, então , as vibrações de amor, de gratidão, de confiança , entre outras, são atraídas para o conga (altar).

Condensador – no conga, são condensadas as ondas mentais oriundas do que  acontece no terreiro, palestras, consultas , por exemplo.

Escoador- o conga funciona como um para-raio, escoando para a terra o que ainda tiver de negativo na pessoa.

Expansor- expande o positivo, ou seja,  as ondas mentais positivas  presentes, uma vez atraídas, são expandidas em movimento constante...são devolvidas ao ambiente.( combustão)

Transformador-  no conga, acontece  o reciclar do lixo astral.
Pela força do amor e das energias positivas que ele agrega, nada de negativo ali permanece.

Alimentador- essa função significa que o gongá é o sustentador vibratório do trabalho no terreiro.
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