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quarta-feira, 29 de maio de 2013

O que é benzimento?



O Benzimento

Segundo o dicionário, a palavra benzer vem de fazer a cruz. E é com esse símbolo que a maioria dos benzimentos tem início.

Na cultura popular, corpo e espírito não se separam, tampouco desliga-se o homem do cosmos, ou a vida da religião. Para todos os males que atingem o corpo e a alma do homem sempre há uma reza para curar. É por isso que, apesar do tempo e dos avanços da medicina, a tradição dos benzedores ainda persiste na nossa moderna sociedade capitalista.

Acreditando ou não no poder da reza, tem sempre aqueles que procuram, nas rezas e nas benzeções, uma cura para a sua doença ou um alívio para a sua dor.


O que é o benzimento?

Benzer significa tornar Bento ou Santo. Benzer uma pessoa é o ato de rezá-la, pedindo que dela se afastem todos os males ou o mal específico que lhe esteja afligindo.

Faz-se o “sinal da cruz” sobre a pessoa, animal ou objeto, recitando orações diversas com o objetivo de consagrá-la ao divino e pedir para o favor do céu, abençoando.

A bênção é um veículo que possibilita ao seu executor estabelecer relações de solidariedade e de aliança com os santos, de um lado, com os homens de outro e entre ambos, simultaneamente (Oliveira, 1985).

É uma prática muito antiga a muitas culturas, mas aqui no Brasil ganhou força no período da colonização junto aos imigrantes que chegaram.

Vale lembrar que os próprios Índios aqui já estabelecidos praticavam seus rituais de cura dentro de um conjunto de orações no seu próprio dialeto.

A maioria das benzedeiras são idosas, católicas, com pouca escolaridade e baixa renda.

Elas encaram seu ofício como um serviço assumido por tradição e em resposta a necessidades, da comunidade. Não cobram pelos benzimentos, mas geralmente os que procuram seus serviços, levam presentes como forma de agradecimento.

No quadro dos colonos tínhamos duas classes predominantes no Benzimento:

As parteiras e os benzedeiros.

O benzimento é uma técnica simples, independente de crença ou religião, de dia, lua, horário ou local para ser praticado.  


Quem pode benzer?

Alguns dizem que o benzimento só pode ser praticado quando se aprende dentro de uma tradição ou quando se é passado por alguém da própria família.

A maioria das antigas benzedeiras relatam que aprenderam com alguém da família ou que foram apadrinhadas por outra benzedeira pois tinham o dom. Algumas relatam que  receberam as orações e a missão de benzer durante  um sonho.

Atualmente muitas pessoas defendem que para praticar o benzimento não é preciso ser médium, possuir dons espirituais, nem ter nenhum tipo de pré-requisito além da vontade de ajudar ao próximo.  Sendo assim o Benzimento é livre a qualquer pessoa que queira aprender. 

Qualquer pessoa pode fazê-lo desde que tenha fé na força que vem de Deus e que habita em cada um de nós.

Através da vontade no bem, criamos um campo fluidico cheio de magnetismo benéfico, repleto de agentes restauradores de forças e energias gastas, que ao serem repostas, atuam na reparação dos males que se instalaram.


O que pode ser benzido?

As enfermidades curadas pelas benzedeiras se configuram como perturbações que atingem não apenas o corpo, a esfera física, mas estão relacionadas a questões sociais, psicológicas e/ou espirituais que afetam o cotidiano.

Enquanto a Medicina científica se concentra nos aspectos biológicos do processo saúde-doença, a benzeção ocupa-se de perturbações que desequilibram a vida das pessoas e que podem ser causadas por um amplo leque de fatores, aproximando-se mais da forma subjetiva como as pessoas vivenciam o processo saúde-doença. Além disso, a eficácia do benzimento está estreitamente relacionada ao modo como as pessoas percebem a saúde e a doença.


A BENZEDURA COMO PRÁTICA TERAPÊUTICA

Negócios, mal no corpo, doenças físicas, psicológicas ou espirituais, sapinho na boca, quebranto, mau olhado, etc. Algumas benzedeiras se especializam em determinadas rezas. Por exemplo: geralmente as mulheres benzem crianças e os homens picadas de cobra


Elementos no benzimento

O dom ou a faculdade de curativa é inerente ao benzedor, a preferência por certo objeto, erva, ou certa gesticulação, serve-lhe de catalizador do próprio benzimento.

Os elementos utilizados são diversos,  tais como:

Vela, tesoura, faca, carvão, ervas, água, ramos, sal, Bíblia, rosários, fios de linha, etc

O elemento mais popular é o ramo. Algumas benzedeiras dizem que quando não  usam o ramo o mal “vira prá elas”; após a reza, se a pessoa estiver carregada, as folhas ficam “muchas”. Pode-se usar qualquer tipo ramos de plantas para realizar o benzimento.

Dentre as ervas podemos citar a arruda, o alecrim, o alevante, o guiné. Pelas propriedades de cada uma delas, de limpar a energia negativa. Ou ainda alguma erva que a benzedeira use somente para esse fim.

Também são utilizados elementos em rezas específicas, como por exemplo uma faca  para cortar o mau olhado ou o ramo de oliveira para a “vermelhidão”. No entanto é importante que aqueles que queiram iniciar a prática do benzimento saibam que os elementos não são necessários.

Quando mencionamos o uso de objetos dentro do benzimento, notamos que na realidade se vincula aos mesmos no plano etéreo suas atuações idênticas no plano físico.

Quando utilizamos facas para se benzer, nem sempre esta prática é bem aceita pois a associação que se faz com este elemento esta sempre ligada ao negativo. Olhando por um prisma espiritual verificaremos que a faca tem uma única função “CORTAR" e não se dever ser associado a ela a AÇÃO que o ser vivente toma com a mesma, sendo esta segunda de total responsabilidade de quem o faz.

Ao benzermos uma pessoa com o uso de uma faca, pouco importa sua forma ou alegoria que nela seja colocada, nem tão pouco se tenha corte ou não, pois em momento alguma há o contato dela e de seu fio de corte com a pessoa que esta sendo benzida, ficando a atuação somente no campo ritualístico.

Os movimentos neste benzimento devem ser lentos para não assustar o assistido e vale lembrar que a fé é elemento propulsor de energia e sem a mesma nada se realiza.


Géro Maita 
Sacerdote Umbandista
Centro Espiritualista de Umbanda Esperança
Acesse nossa programação: www.ceuesperanca.com.br
"Estudo, bom senso e caridade, eis nossas metas"

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Relato de vivência na incorporação com Orixá.


De modo geral, a Umbanda não considera os Orixás que descem ao terreiro energias ou forças supremas desprovidas de inteligências e individualidades. Na verdade (e os africanos assim já consideravam), Orixás seriam ancestrais divinizados, que incorporam conforme a ancestralidade, as afinidades e a coroa do médium. No Brasil, teriam sido confundidos com os chamados Imolês, isto é, Divindades Criadoras, acima das quais aparece um único Deus: Olorum, Olodumaré ou Zambi.

Na linguagem e na concepção umbandista, portanto, quem incorpora numa gira de Umbanda não são os Orixás propriamente ditos, mas seus falangeiros, em nome dos próprios Orixás. Tal concepção está de acordo com o conceito de ancestral (espírito) divinizado (ou evoluído) vivenciado pelos africanos que para cá foram trazidos como escravos. Mesmo que essa visão não seja consensual, ao menos se admite no meio umbandista que Orixá que incorpora possui um grau adequado de adaptação à energia dos encarnados, o que seria incompatível para os Orixás hierarquicamente superiores.

...a respeito da ancestralidade e da divinização de ancestrais, aparece, dentre outras fontes, a celebre pesquisadora Olga Gudolle Cacciotare, para que: “Os Orixás são intermediários entre Olórum, ou melhor, entre seu representante (e filho) Oxalá e os homens. Muitos deles são antigos reis, rainhas ou heróis divinizados, os quais representam as vibrações das forças elementares da Natureza, como os raios, trovões, ventos, tempestades, água, fenômenos naturais como o arco-íris, atividades econômicas primordiais do homem primitivo – caça, agricultura – ou minerais, como o ferro, que tanto serviu a essa atividade de sobrevivência, assim como às de extermínio na guerra”.

Entretanto, e como o tema está sempre aberto ao dialogo, à pesquisa e ao registro de impressões, conforme observa o médium umbandista e escritor Norberto Peixoto -  livro Mediunidade e Sacerdócio -, é possível incorporar a forma-pensamento de um Orixá, a qual é plasmada e mantida pelas mentes dos encarnados. Nas palavras do médium:

“Era dia de sessão de preto(a) velho(a). Estávamos na abertura dos trabalhos, na hora da defumação. O congá “repentinamente” ficou vibrando com o Orixá Nanã, que consideramos a mãe maior dos Orixás e seu axé (força) é um dos sustentadores da egrégora da Casa desde a sua fundação, formando par com Oxossi. Faltavam poucos dias para o amací (ritual de lavagem da cabeça com ervas maceradas), que tem por finalidade fortalecer a ligação dos médiuns com os Orixás regentes e guias espirituais. Pedi um ponto cantado para Nanã Buruquê, antes dos cânticos habituais. Fiquei envolvido com uma energia lenta, mas firme. Fui transportado mentalmente para beira de um lago lindíssimo e o Orixá Nanã me “ocupou”, como se entrasse em meu corpo astral ou se interpenetrasse com ele, havendo uma incorporação total”.

(…)

“Vou explicar com sinceridade e sem nenhuma comparação, como tanto vemos por ai, como se a manifestação de um ou outro (dos espíritos na umbanda versus dos orixás de ouros cultos) fosse mais ou menos superior, conforme o pertencimento de quem os compara a outra religião. A “entidade” parecia um “robô”, um autônomo sem pensamento contínuo, levado pelo som e pelos gestos. Sem dúvida, houve uma intensa movimentação de energia benfeitora, mas durante a manifestação do orixá minha cabeça ficou mentalmente vazia, como se nenhuma outra mente ocupasse o corpo energético do orixá que dançava, o que acabei sabendo depois tratar-se de uma forma-pensamento plasmada e mantida “viva” pelas mentes dos encarnados”.

No cotidiano dos terreiros, por vezes o vocábulo Orixá é utilizado, também para Guias e Entidades. Em muitas casas, por exemplo, é comum ouvir alguém dizer antes de uma gira de Preto-Velhos: “Precisamos preparar mais banquinhos, pois hoje temos muitos médiuns, portanto, aumentará o numero de Orixás em terra”.

Extraído do livro “O essencial do Candomblé” do escritor Ademir Barbosa Junior (Editora Universo dos Livros).

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A linha dos marinheiros na Umbanda


          Os marinheiros permitem aos médiuns, desenvolverem o equilíbrio emocional, entrar em contato com as emoções mais íntimas desbloqueando e liberando os excessos, os vícios. Também ensinam a capacidade de sentir as dores dos outros e com isso aprimorarem a flexibilidade nas relações interpessoais. 

            Atuam enfeixados no Orixá Yemanjá e são "mestres" nas descargas energéticas, como as necessárias muitas vezes ao final dos trabalhos de uma sessão de caridade. Nas suas "danças" ritualizadas durante as manifestações mediúnicas, os marinheiros balançam, balançam, mas não caem. Trazem-nos o jogo de cintura auxiliando-nos a sermos menos rígidos.

Fluidos psíquicos aderem ao perispírito


PERGUNTA: - Poderíeis explicar-nos mais algumas fases desse expurgo de fluidos psíquicos, que aderem ao perispírito depois dos descontroles do espírito?

            RAMATÍS: - Embora a tradição católica tenha criado a idéia de um inferno incompatível com a bondade de Deus, mais tarde os próprios autores dessa lenda religiosa amenizaram a punição infernal, criando um purgatório, ou seja, uma estação de fogo expiatório, entre o céu e o inferno. Conforme explicam os dogmas católicos, os pecadores lançados no inferno jamais se livrarão do fogo eterno, enquanto os condenados às chamas do purgatório são mais felizes, pois gozam de "sursis" concedido por Jesus, depois dos insistentes pedidos e apelos de Nossa Senhora, ou então, se libertam mediante o número de missas rezadas na Terra pelos sacerdotes católicos. Enquanto não há nenhuma possibilidade de fuga ou de perdão para o pecador condenado ao fogaréu infernal, as almas do purgatório terminam alcançando o céu assim que cumprirem as penalidades de suas sentenças ou se beneficiarem pela recomendação oficial do Clero do mundo terreno.

            Embora a mente fantasiosa dos sacerdotes ou líderes católicos considere o inferno e o purgatório locais adrede preparados para as almas dos homens expiarem os seus pecados do mundo, ambos os casos simbolizam as situações e os efeitos que o homem vive em si mesmo depois de pecar, ante a necessidade de expelir para a carne os resíduos psíquicos venenosos, que acumulou no seu perispírito.

            Nessa vertência cruciante de venenos para a matéria, que os hindus chamam a "queima do carma", a dor atroz escalda a carne e a febre ardente incendeia o sangue, criando na mente humana a idéia do purgatório ou do inferno, cujo fogo corresponde ao estado de comburência psíquica durante a purificação perispiritual. Em conseqüência, o espírito já vive na Terra o seu purgatório, cujo fogo pungente queima-lhe a carne no alastramento da doença, seja o câncer, a morféia, a tuberculose ou o "pênfigo selvagem" provenientes da drenação incessante dos tóxicos nocivos à estrutura da sua personalidade espiritual.

            No entanto, há certa equivalência na concepção do purgatório católico, pois, na realidade, o homem que não consegue eliminar toda a carga fluídica deletéria do seu perispírito através do corpo físico, as vezes precisa aceitar o recurso extremo de purgar o saldo pernicioso nos charcos ou pântanos saneadores. de absorvência drástica, que existem no Além-túmulo.

Do livro MEDIUNIDADE DE CURA.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Lá onde os ventos dobram - muitas são as moradas do Pai.

Enquanto cavalgava em meio à plantação, Solimar escutava o barulho do vento balançando o trigal, em ondas que revoluteavam numa coreografia estranha. Pareciam minúsculos seres entoando uma canção antiga e mágica que incentivava os vegetais a madurar rapidamente, conservando sua beleza etérea por mais tempo. Desfrutando daquele momento sob os reflexos de um sol dourando e morno que dava uma visão esplêndida aquela vastidão, onde a vista se perdia em contornos triunfantes com a linha azul do horizonte, ela respirou prazerosamente enchendo os pulmões com aromas que lembravam sua infância. Dos tempos de opulenta felicidade junto com a família, dos animais criados na fazenda, do pomar cujos frutos têm um sabor inigualável, da casa grande com suas cortinas brancas balouçando com a brisa da manhã. Recordou e sentiu o doce cheiro dos pães e bolos assando no forno de tijolos e que deixavam um perfume gostoso no ar. Viu-se pequena tentando subir nas prateleiras da despensa e onde entrar era uma festa para os olhos e para a gulodice. Tinha um pouco de tudo por ali, de goiabadas cascão a pessegadas e figadas em caixinhas, doces em conserva, queijos, embutidos de todos os tipos, feijão e arroz em sacas. Tudo plantado, colhido e feito em casa. A mistura das especiarias e aromas é algo inesquecível para quem teve a felicidade de experimentar. O fogão a lenha com o fogo crepitando, pinhões assando na chapa de um lado e de outro a polenta tostando. Um festival cheirando a cozidos, temperos, gostosuras, regadas a amor, carinho e rituais mágicos que só os antigos sabiam tão bem proporcionar, porque viviam intensamente a realidade na qual estavam inseridos.
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