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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Médiuns escravos!?


            No processo cármico reencarnatório, o Alto não usa de uma só medida para todos os casos de retificação espiritual. Comumente, aqueles que mais se queixam ou se rebelam no cumprimento de suas obrigações mediúnicas só demonstram a sua qualidade inferior espiritual, pois os seres de melhor estirpe são corajosos, resignados e otimistas em qualquer situação da vida. Os primeiros vivem sem ânimo e sem ideal, refletindo na fisionomia sempre amargurada o fracasso prematuro dos seus empreendimentos cotidianos. Atravessam a vida física à maneira de sentenciados infelizes, cujos deveres espirituais eles transformam em punições imerecidas. Então, contagiam os mais débeis mediante seu incessante pessimismo.
            Renascem na carne prometendo socorrer e confortar os mais desgraçados, mas, infelizmente, invertem o seu programa espiritual e terminam requerendo o conselho, o auxílio e a assistência alheia para se manterem até o final de sua azeda existência física. Embora sejam receptivos aos fenômenos do mundo espiritual e sintam o apelo constante dos seus amigos invisíveis, eles se furtam às promessas feitas no Espaço e fogem dos ambientes que possam convocar-lhes os serviços mediúnicos tão detestados. Incuráveis pela sua teimosia, obrigam os seus guias a assediá-los com fluidos dos espíritos mais rudes e coercivos, a fim de mantê-los na proximidade da área espírita e provê-los de conselhos ou advertências corretivas. Em sua estultícia e rebeldia, lembram a figura do boi que só avança sob o aguilhão do boiadeiro.
            Esses espíritos quase sempre tomam a graça da mediunidade concedida pelo Alto, para fins de renovação moral, à guisa de penoso fardo de amarguras e sofrimentos, que mal suportam no mundo material. Tudo o que os cerca e os incomoda é esmiuçado em detalhes melodramáticos e sentimentalismos suspirosos; apregoam o seu drama de desenvolvimento mediúnico como um acontecimento incomum no mundo. Vencidos pelo desânimo, indolentes e avessos ao estudo, eles passam pela vida física quais escravos algemados à fonte do seu próprio bem.

Ramatís - do livro Mediunidade de Cura
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