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domingo, 11 de novembro de 2012

A infância de Jesus


          "Jesus era um anjo exilado na Terra", isto é, um anjo fora dos seus domínios e submerso num escafandro de carne, que o reduzia em seu potencial angélico! Já citamos, alhures, o conceito popular de que "entre espinhos, o traje de seda do príncipe rasga mais facilmente do que a roupa de couro do aldeão". Isso implica em considerarmos que tanto quanto mais delicado é o ser, mais ele também é afetado pelas hostilidades próprias do meio onde vive. O beija-flor sucumbe asfixiado quan­do é atirado no charco de lama, enquanto, a seu lado, o sapo canta de júbilo!

     
         A criança lactente ainda nada pensa de mal, no entanto, é sensível aos maus fluidos da inveja ou do ciúme projeta­dos sobre sua organização tenra, os quais mais tarde são eli­minados graças ao socorro dos benzimentos da velhinha ex­perimentada. Aliás, ninguém se basta por si mesmo, nem o próprio Jesus, pois se a Vida é fruto da troca incessante do choque de energias criadoras atuando em seu plano cor­respondente, quando hostis elas ferem a qualquer espírito mergulhado na carne. A si mesmo só se basta Deus, que é o Pai, o Senhor da Vida! As relações entre todas as criatu­ras e seres, sejam virtuosos ou pecadores, significam ensejos de experimentação da própria Vida, que tanto educa os igno­rantes como redime os pecadores!

          Quando a Pedagogia Sideral adverte que o espírito su­blime só atrai bons fluidos, e a alma delinqüente é a cul­pada pela carga nefasta que recepcionar sobre si mesma, nem por isso, os bons deixam de ser alvo dos malefícios da in­veja, do ciúme ou da má-fé humana. Que é o anjo de guarda do agiológico católico, senão o símbolo da proteção espiri­tual superior e necessária a todas as criaturas benfeitoras? O pseudo Diabo da Mitologia, que compreende simbolicamente as falanges dos espíritos malignos, não se contenta em arre­banhar para o seu reino trevoso somente as almas pecami­nosas; porém, conforme assegura a própria Bíblia, ele tudo faz para poluir os bons e chegou mesmo a tentar o próprio Jesus (2). O anjo, pois, é justamente o ser mais alvejado pela malícia, crueldade, inveja, ciúme e despeito daqueles que ainda são escravos da vida animalizada do mundo profano!
        O menino Jesus era um ser angélico, uma flor radiosa dos céus a vicejar na água poluída do mundo humano, so­frendo a opressão da carne que lhe servia de instrumento imprescindível para cumprir sua missão heróica, em favor do próprio homem que o hostilizava. As Trevas vigiavam-no incessantemente para desfechar o ataque perigoso à sua de­licadíssima rede neurocerebral, a fim de lesá-lo no contato sadio com a matéria, e isto só era impedido graças aos seus fiéis amigos desencarnados. Jamais alguém, no Espaço ou na Terra, poderia ofender ou lesar a contextura espiritual de Jesus, tal a sua integridade sideral, mas não seria im­possível atingir o seu equipo carnal.
       Não há dúvida de que os bons só atraem os bons fluidos e acima de tudo ainda merecem a companhia e a proteção dos bons espíritos, mas é conveniente meditarmos em que, nem por isso, estamos livres da agressividade dos espíritos maléficos, que não se conformam em sofrer qualquer derrota espiritual.
Livro Sublime Peregrino - Ramatís.


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