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sábado, 9 de abril de 2011

Alteridade



Alteridade é uma palavra muito usada quando se fala em relacionamentos humanos; ela significa o respeito às diferenças, o reconhecimento que cada um é único e que não podemos encontrar no outro, um espelho de nós mesmos. Na verdade, devido a esse condicionamento de se ver no outro, os nossos relacionamentos acabam se tornando uma espécie de monólogo e isso ocorre penas porque somos inseguros. Nossa insegurança faz com que sejamos intolerantes em relação a aceitar as diferenças de opinião, porque elas podem colocar em dúvida as nossas próprias posições.
Sabemos que embora todas as pessoas sejam semelhantes em alguns aspectos (pensam, sentem, falam, criticam, julgam, agem), cada pessoa é única e, portanto é normal que desejemos conhecer cada ser que aparece em nosso caminho. Todos os pontos comuns, nós conhecemos, então passa a ser uma condição muito importante detectar no que ele é diferente de nós; estabelecer um processo de empatia para descobrir como ela funciona e procurar ver as coisas sob o seu ponto de vista. Conhecer alguém de verdade é um processo de penetrar em sua alma, perceber como ela vivencia suas experiências.
O processo é passível de muitos erros, pois estamos invadindo a subjetividade de outra pessoa. Não estamos apenas nos colocando no lugar do outro, com nossa maneira de raciocinar e sentir; nossos pontos de vista têm que ser esquecidos em favor dos da pessoa. Temos que nos guiar pelo seu sistema de pensamento e verificar as regras que o norteiam; um processo muito difícil se considerarmos que fomos condicionados durante anos por influências do meio em que vivemos, e que com certeza nos permitirá maiores afinidades com os que estejam mais próximos.
Respeitar as diferenças, compreender as pessoas, nos leva a exercitar o “não julgamento”, pois teremos que nos conscientizar que isso não terá validade alguma se quisermos conhecer de verdade ao outro. Conhecer o outro significa conseguir pensar, sentir, agir como ele pensa, sente e age; fato que nos propicia uma maior aproximação, entendimento, compreensão e solidariedade. Com toda certeza será mais fácil estabelecer relacionamentos com as pessoas que tem um modo de ver e avaliar as coisas semelhante ao nosso; muito mais fácil conviver com as semelhanças do que com as diferenças.
Todavia, entender as diferenças faz com que possamos acumular um conhecimento muito maior do que assimilaríamos com críticas ou reprovações; o maior acréscimo, portanto, é a tentativa de compreender todas as pessoas que pensam bem diferentes de nós, que vivem de uma maneira que não entendemos, que emitem opiniões que não compreendemos... que nos farão assimilar o conceito de Alteridade; pois essa viagem irá nos enriquecer interiormente, porque conheceremos outras formas de ver, de sentir, de avaliar... outros processos de vida, que farão com que nós possamos reavaliar e reciclar a nossa própria condição de vida.
Precisamos nos relacionar, nos aproximar das outras pessoas, e o meio de conseguirmos isso é praticarmos o Amor, não apenas pelos “pontos em comum” e sim através da aceitação das “diferenças” que nos farão evoluir. Praticar Alteridade é uma condição indispensável para que nos relacionemos bem; para que, devagarzinho, iniciemos o processo de compartilhamos a existência humana; não apenas para entendermos comportamentos, mas para que possamos entender “almas”, descobrirmos o que o “outro” nos ensina e mesmo que por alguns minutos, vivenciarmos as coisas sob aquele ponto de vista, diferente do nosso, um processo altamente significativo para nossa evolução.
Respeitar as diferenças é um processo completamente diferente de se colocar no lugar do outro levando nossa experiência e nossos pontos de vista; trata-se de entrar no sistema de pensamento da outra pessoa e pensar segundo as regras que a norteiam. É evidente que se trata de algo mais difícil, já que o modo de ser e de pensar de cada um de nós é fortemente influenciado por aquilo que passamos ao longo dos anos. Com certeza é uma trabalho que nos exige pela sua dificuldade; é difícil conseguirmos nos intrometer na subjetividade de outra pessoa sem cometer alguns equívocos, mas a pessoa que quiser compreender o outro terá de se conscientizar de que fazer um julgamento a respeito de sua forma de pensar tem muito pouca serventia. Quando o outro nos permite conhecê-lo, devemos tentar sentir o que ele sente, pensar como ele pensa e observar com que critérios ele estabelece seus conceitos e sentimentos... assim nos aproximaremos.
O respeito às diferenças nos trará grande capacidade de evolução e muito enriquecimento da nossa vida interior, pois por meio desse tipo de experiência poderemos vivenciar outros modos de existir e de pensar sobre nossa condição. Pela via da Alteridade, poderemos acumular um conhecimento de vida muito mais rico do que com uma atitude crítica que, na verdade, exclui e despreza tudo e todos que não forem como nós somos.
Saviitri Ananda

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